O sagrado Monte Popa

Ásia Birmânia

É um dos principais locais de peregrinação da Birmânia, mas não é isso que nos move. Não sou adepto de “adorações”, mesmo que seja apreciador de todo o tipo de manifestações populares. Bom, longe de ser único, evidentemente. O comportamento humano, nas duas diversas formas (mais ou menos peculiares), é tema que a todos fascinará.
A ‘cidade’ é praticamente um cruzamento movimentado, com muito comércio, fruta, flores e restaurantes. Para o Monte Popa é preciso seguir mais um pouco. E não tardaremos a deparar-nos com o seu impacto na paisagem. É, de facto, singular. Imponente.   
Um grande e extinto vulcão plantado no horizonte. É essa a primeira ideia. O Popa é um enorme rochedo vulcânico que emerge do calor da paisagem e que se transformou num dos maiores centros de peregrinação e adoração do país.
Há 37 espíritos/deuses venerados. Verdadeiramente adorados e temidos. Depois de o apreciarmos em perspetiva, aproximamo-nos. Com este calor, não ajudam os 777 degraus até ao topo.
Vale que todo o percurso é coberto. E, na base, logo começa com o habitual comércio. Roupas, recordações, utensílios vários. A nossa demanda é testemunhada por alguns macacos, que entretêm na subida.
Primeiro, curiosos. Depois, mais confiantes, atacam o que puderem. Uma jovem protege a comida de um atrevido, mas logo vem outro, por trás, a reclamar vitória. São adoráveis. Ninguém se chateia verdadeiramente.
À medida que vamos subindo, a paisagem vai ganhando dimensão. O caminho é fértil em fiéis. Famílias inteiras surpreendem-nos. É dia de semana. Esta azáfama não nos faz ter noção da exigência física.
Lá em cima, sobram os locais onde nos convidam a fazer donativos. Com recibo. E placa para os mais desprendidos de bens do banco central de qualquer país. A coleta está bem organizada. O reconhecimento público dos bem-feitores já teve melhores dias. Não é que isso importe. Significa que muitos são os que têm sido generosos.  
Quando atingimos o topo, é magnânime a vista a 360º. Irrelevante não a poder apreciar de um só ponto. O desgaste da subida – calma, não é tarefa assim tão hercúlea – aconselha a recuperar energias.
Há pagodes por todo o lado. Como cogumelos selvagens. A aragem abafa o poder do sol. Não apaga a fome. Apreciado, com tempo, o cenário, não tardaremos a regressar, em demanda por alimento para o corpo, já que a alma tem estado mais do que saciada….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?