Tu “matas-nos”, Encontrada!!

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                                                                                                                  Vagueia de um lado para o outro, com atração pelo abismo. Está completamente perdida. Confusa. Com medo da própria sombra. Sobressalta-nos a alma com as suas súbitas mudanças de direção, inevitavelmente de encontro a um carro. Ou transporte ainda mais pesado.
Tentamos chama-la, em vão. Tem medo. Está molhada e treme. Procuramos cerca-la para a acalmar, mas não somos bem-sucedidos. Sim, falamos de uma cadela. Linda, de brilhante pelo preto.
Ana é a mais assertiva de entre todos e volta um pouco atrás na caminhada para avisar as autoridades. É preciso fazer algo. Enquanto isso, o resto do grupo procura acalmar a habitual fúria automóvel. Um perímetro de segurança para evitar males maiores. E são vários os apertos de peito, pois a via dá-se a velocidades pouco simpáticas.
Finalmente, há alguém que a acalma. A tremer, baixa-se e entrega-se às carinhosas mãos da Carla. Soa a amor à primeira vista. Afastamo-la para o passeio. Progressivamente, vai-se entregando aos carinhos e festas, que rapidamente se estende a todo o grupo.
Minutos depois, já mais confiante, a sua língua e patas deixam marcas de sobra na Carla, que divide com Ana as maiores atenções. A escolha afetiva está feita, porém, nestas circunstâncias, não é exequível.
“Via Viana”, um autodenominado “bon vivant”, junta-se ao grupo e tenta serenar-nos. Garante que vai ficar com a cadela e que a vai tratar bem. “Ainda há um mês fiz o mesmo com outra cadela, que está a viver lá no prémio. Esta será sua amiga”, diz. Terá de ser firme nas palavras, pois as mulheres do grupo assim o exigem.
Depois de tirarmos a inevitável foto de família, chega a hora de pensar num nome. Fica a sugestão do seu novo cuidador: ENCONTRADA. Teremos saudades. E confiamos que o nosso ‘amigo’ cumprirá com a sua palavra. É com essa esperança que prosseguimos caminho, rumo à fantástica obra de Vhils….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?