Ferraria: SPA nas águas do Atlântico

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Todas as dicas e conselhos apontam para a maré baixa, a melhor forma de um mergulho quente em pleno mar. não será o caso. Atrasamo-nos. Eu sei. Não é por falta de aviso. Mas seguir a lógica ter-nos-ia obrigado a uma alteração substancial de planos que não nos convém. Mesmo assim, não é uma diferença de uns meros 10-15 graus a travar-nos, certo? Sim, falo da Ferraria. E, sim, não é imaginação. É mesmo possível tomar banho (bem) quente – fumegante, até – em pleno mar.
Esta formação vulcânica no noroeste de São Miguel tornou-se numa piscina natural trajada de autêntico SPA em pleno Oceano Atlântico. Com a maré baixinha, claro – não esquecer de consultar o calendário das marés, online ou no jornal regional.  
As qualidades terapêuticas das águas termais da Ferraria transformaram-na em local de culto, que fazemos questão de visitar.
Esta estrutura de grande valor paisagístico e científico é uma formação geológica única no seu género no Mundo, pois trata-se de um promontório com origem em erupções vulcânicas primordiais na formação geológica da ilha, mas também por manifestações recentes do interior da terra.
Tem uma pseudo-cratera vulcânica resultante de pequenas explosões de vapor, resultantes do contacto da lava quente com a água do mar. Gerou uma explosão freática, que por sua vez criou uma estrutura vulcânica em forma de cone, encimada por uma cratera. E é neste paraíso que decidimos nadar. Não quero saber de explicações técnicas. Do que isto é e de como surgiu. Neste momento, quero apenas de mergulhar.
Com a maré alta, o prometido éden, embora não à mesma temperatura. Pelo que é melhor entrar de supetão. Depois, é deixar-nos embalar pela maré que vai brincando com o nosso corpo. Estamos no Atlântico, rodeado de agreste rocha vulcânica.
Quem não se sente tão confortável em lugar de selvática natureza, tem o complexo termal logo ali ao lado. Com piscinas – interior e exterior, não naturais – e um amplo  conjunto de tratamos no SPA. O restaurante tem menu interessante. E, regularmente, é animado por música ao vivo. Mas está na hora de irmos dançar para outras paragens… .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?