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Meu pé esquerdo…

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Erro primário ameaça causar a primeira baixa no grupo Bornfreee.com. O bilhete do Cristóvão foi comprado com o meu cartão de crédito. No check-in querem a confirmação dos últimos quatro números. Bloqueio. Já não lembro. Os cartões de créditos ocidentais são inúteis no Irão. Sem sentido levá-los (apesar de pouco prático viajar com bons milhares de euros na mochila).
Já não tenho tempo de ir a casa. Mesmo que tivesse, as chaves já estão com o meu compadre. Ligo-lhe. Já não está no Porto. No último recurso, será o meu pai que, muito relutantemente, me dá a chave de acesso a conta bancária. A Turkish está irredutível. Resolução no limite.
Na véspera, ao jantar há um dente que me dedica dor atroz. Dor que me tira o sono e me obriga a 70 km na manhã do voo para encontrar o meu dentista de serviço. Frazão. Conhecem? Tive mesmo de ir a Paços de Ferreira…o dente e a dor não dão tréguas.
Quando volto a casa tenho menos de uma hora para estar no aeroporto. E já prometi boleia à Sofia. Há alma caridosa que nos salva…
O vinho “esgota” na viagem Porto-Istambul. Porque para Teerão não há disponível o melhor néctar do Mundo. Nem qualquer outra bebida alcoólica. A vingança é por antecipação.
Aterramos no Irão às 02:50h. Calor. E os lenços começam a cobrir cabeças. Anunciam o Islão…
Enormidade de tempo no visto. Um grupo da Arábia Saudita não permite a fluidez de processos. Cansaço geral e alguma impaciência na fila. Uma hora depois lá iniciamos longa viagem de carrinha. O transfer Bornfreee não falha. Ao contrário do hotel. Problemas de comunicação deixam-nos sem quartos. Pacientamos no lobby a aguardar por quarto. São umas quatro infindáveis horas, nas quais nos aventuramos a ver o nascer do dia e da vida na desértica Teerão.
Descansaremos quatro horas. Às 13:00h de Teerão, 2:30h mais que em Portugal, estamos, finalmente, prontos a “comer” o Mundo….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?