Misteriosa Cidade Subterrânea

Irão Médio Oriente

Antes de mergulharmos no misterioso deserto de Maranjab, exploramos as profundezas de uma antiga cidade subterrânea, nos limites do inóspito. Uma obra notável usada essencialmente como refúgio a ataques indesejados, mas também como forma de proteção do calor e para o armazenamento de água, indispensável em zonas tão quentes e áridas em que sobreviver já é, em si, uma arte. Na verdade, neste momento está um calor tão abrasador que começar a descer os inúmeros degraus (três andares de corredores labirínticos), quase a pique, para o enorme antigo reservatório de água adjacente é uma benesse no momento mais apropriado.
Todas as casas da aldeia tinham uma ligação às profundezas da desértica paisagem. Tão discreta e bem guardada que os invasores nunca a descobriam. E, se o fizessem, sobravam armadilhas para que, no subsolo, não fossem bem sucedidos na sua missão. “Alguma pista sobre a ligação?”, questiona-nos Alex, que nos conduz nesta jornada subterrânea. Somos criativos nas respostas, mas apenas ficamos perto da verdade. “Habitualmente a ligação era feita a partir de dentro do… forno da cozinha. Quem se lembraria de procurar lá?”, atira.
Alex, com um inglês perfeito, mesmo raramente tendo saído de Kashan, vai juntando o “muito espertos/muito inteligentes” a tudo o que é de origem Persa. De tal forma revela o seu entusiasmo patriótico que nos dias seguintes continuam as piadas do grupo Bornfreee.com, garantindo que as maiores banalidades – e, até, algumas ‘imbecilidades’ em tiradas de humor negro – são persas.
Para poderem sobreviver durante vários dias longe do perigo, no pouco agradável subsolo, todos os detalhes foram pensados: há diversos pontos de circulação – e refrigeração – do ar, cozinhas, WC’s, água potável, armazéns, lugares para guardas/sentinelas, espaços para diferentes famílias… tudo gizado ao pormenor. Engenho persa que teve várias réplicas deste tipo de projeto por todo o país.
Ouvir histórias sobre um lugar destes estimula a nossa imaginação. E a admiração pelos persas. Calcorrear, ‘in loco’, todas estas recentes descobertas é puro privilégio. .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?