Sob as Estrelas do deserto de Maranjab

Irão Médio Oriente

É apenas quando toda a luz se esvai que o espetáculo se solta no maior dos esplendores. O céu transborda vida. As estrelas exibem o seu corpo, textura. A noite amena avança, no deserto de Maranjab…
O grupo Bornfreee.com opta por dormir ao relento. Não desprotegido, no meio de coisa alguma, mas com o privilégio de sentir o mesmo que muitos outros aventureiros experienciaram há vários séculos, quando os mercadores ficavam em Caravançarais nas longas jornadas entre continentes.
O Caravançarai é precisamente um tipo de estabelecimento destinado a mercadores viajantes, frequentemente estrangeiros, que aqui podiam descansar tendo as suas mercadorias e gado em segurança: uma peça fundamental da extensa rede de rotas comerciais que ligavam a Ásia com o Médio Oriente, sudeste da Europa e norte de África, especialmente ao longo da Rota da Seda.
A jornada é alimentada com verdadeiro manjar, pela qualidade das iguarias e a preocupação dos anfitriões para que nada falte ao nosso delicado e exigente apetite. A perfeição fica à distância de um ou dois copos de encorpado vinho. Que não tem lugar no Irão islâmico…
Lá fora, um grupo de camelos recorda-nos os tempos da Rota da Seda, que os descobrimentos portugueses ajudaram a ‘secar’. O Mundo exterior parece anular-se para apenas existir o Maranjab e este soberbo Caravançarai, um dos melhores conservados no Irão e mandado construir por Shah Abbas Safavid há uns quatro séculos, como base militar e lugar de descanso para as caravanas. Daí a sua mais do que sólida estrutura, nas quais se destacam as suas quatro torres.
Como disse, optámos por dormir no exterior. Três paredes e um teto que nos protegem, e uma abertura em forma de tribuna para um céu fantástico, ímpar. Mantas, muitos sorrisos e conversa pela noite dentro, até que a aurora nos revela a magia do lugar numa outra dimensão… .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?