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Bagh-e Fin, UNESCO em forma de jardim

Irão Médio Oriente

O mais antigo jardim do Irão é Património Mundial. E palco de um assassinato que ‘tocou’ a Pérsia, quando em 1852 o rei Nasereddin Shah mandou matar o amado ministro Amir Kabir, uma das mais capazes e inovadoras figuras do seu tempo, um grande reformador enquanto primeiro-ministro.
Uma das funcionárias da pequena biblioteca conta-me a história que os livros confirmam. A sua simpatia e paciência levam-me a agradecer-lhe, no fim dos entusiasmados esclarecimentos. Incauto, levo a mão direita ao seu braço esquerdo. Ainda estou a uns15 centímetrosde consumar esse pecado capital quando a senhora se desfaz em sismo de grande magnitude: solta um pequeno grunhido, abana toda e, atrapalhada, serena. Eu, impávido. “Congelo’ a minha postura, como que a provar ao Mundo que não lhe cheguei a tocar. Imagino-me num jogo de futebol e espero pela repetição, em camara lenta, para provar a minha inocência.   
Estamos a alguns quilómetros a sudoeste de Kashan, num jardim que tem mais de 400 anos e é associado ao período da dinastia dos Safavid. Depois de várias transformações e de ter sido negligenciado e danificado diversas vezes, em 1935 foi considerado propriedade nacional do Irão, o que traçou o seu destino: em2012 aUNESCO declarou como interesse para a humanidade.
Inserido em paisagem desértica, mas irrigado por águas subterrâneas desviadas das montanhas Karkas, o jardim cobre2,3 hectarese é ‘vigiado’ por muralhas com quatro torres redondas. Há um grande quadrilátero de árvores e arbustos rodeado por vários pavilhões.
Os azulejos convivem com ciprestes e plátanos. Amêndoas, maças, cerejas e ameixas. E há lírios, rosas, jasmim, narcisos, violetas tulipas e outras flores que não consigo decifrar.
Inicialmente, começou por ser pensado para Hammam (para banhos), mas em 1849 ficou definitivamente na história pelo assassinato, um crime tão atroz como a beleza destes jardins….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?