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Encantamento no Museu das Marionetas

Irão Médio Oriente

“Mais do que visitar agora o nosso museu, apareça depois das 16:00. Vai haver um espetáculo e estão todos convidados”. É assim, de forma simples e direta, que me sugerem a cumprir para mais tarde a esperada incursão ao Museu dos Fantoches/Marionetas. Hoje é dia de festa e os seus alegres promotores preferem que guarde o meu dinheiro e me junte mais tarde à celebração, de forma graciosa.
Volto, assim, ao restaurante histórico Abbasi, logo ali ao lado, onde me espera o resto do grupo para nova faustosa refeição – é complicado ser diferente, no Irão – em ambiente digno de conto de fadas. Entre outras iguarias, provamos camelo e temos direito a bandeirinha de Portugal à mesa. Sinal de que também andamos por cá… com alguma regularidade.
Kashan não para de nos surpreender e sinto que merece um papel mais adequado no turismo iraniano: neste caso, sobra-lhe encanto interior… e está bem ‘adornado’ de locais de interesse nas redondezas.
O ambiente é mesmo festivo. Não fui enganado. Respira-se serenidade, companheirismo e amor, neste pequeno museu. É improvisado um palco no terraço central e os 10 portugueses assumem o papel ‘exótico’ da festa, já que apenas descortino um outro casal de viajantes.
Fazem pequenas ofertas aos presentes. A música começa com uma criança, claramente dotada para instrumento de cordas e com um à vontade perante a plateia que nos faz ter a certeza do seu brilho enquanto pequena estrela. Em registo antagónico, segue-se um ‘louco’, de ar bizarro, que faz melodias de brinquedos e que encanta, com voz de espanto (sim, até eu, rouquito, faria melhor). Só há espaço para sorrisos e gargalhadas.
Aqui, apenas espaço para aplausos regulares. Pena que não tenha havido algumas das palavras  traduzidas pelo anfitrião. Sei que cortaria a dinâmica do improvisado espetáculo, mas far-nos-ia mais felizes e melhor conhecedores do que se estava a passar.
Seja como for, vai ser difícil esquecer Kashan… .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?