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Silk Road

Irão Médio Oriente

Yazd fazia parte do roteiro. Em outros tempos, uma rota comercial. Agora, mais turística, embora (felizmente para nós) ainda haja poucos estrangeiros a aventurar-se no país. Tal como antigamente, o Silk Road (hotel) é um ponto de cruzamento de culturas. Viajantes de todo o mundo mesclam-se no seu amplo átrio, tipo jardim interior, espreguiçando-se nos vários pontos convidativos ao ‘dolce far niente’.
O Silk Road situa-se num dos mais interessantes e animados pontos da cidade, junto ao final de uma das ruas com mais cativante artesanato e logo ao lado da mesquita Jameh, com uns 500 anos e que se impõe na cidade velha. O seu minarete de quase 50 metros domina o horizonte e, à noite, é cenário de deslumbre num dos vários ‘rooftop’ da cidade.
Aliás, não há melhor forma de terminar o dia. Esplanadas no topo dos históricos edifícios. Seja para chazinho ou para jantar. Noites de calor que libertam em nós sentimentos de plenitude interior, em místicos cenários de contos do longínquo Médio Oriente…
Este aglomerado de ruelas – dizem ser a mais velha cidade do Mundo permanentemente habitada, remontando há 5.000 (!!) anos – integrava a Rota da Seda e a sensação é que pouco mudou desde então. Não nos deslumbramos com qualquer tipo de edifício em particular, mas com a ‘foto completa’, na qual se inclui gente simples, humilde e sorridente, com especial apetência para receber.
O adobe domina os quatro pontos cardeais, de onde sobressaem os ‘caçadores de vento’ (‘badgir’) e um ou outro minarete. Como em poucos lugares, aqui o que mais interessa é (des)orientarmo-nos. Perder-nos nos recantos deste filme que, invariavelmente, nos levam a lugares e situações que nos marcamem viagem. Não é por acaso que Yazd já tem a primazia do meu peito nas afeções ao Irão…
A ‘prisão de Alexandre’, o conquistador macedónio, agora transformada para receber pequenas lojas, é um dos lugares mais apetecíveis para explorar, bem como algumas casas tradicionais, com mais de um século no dorso.
O bazar é labiríntico, mas, curiosamente, não é onde os meus euros vão mudar regularmente de mãos: a mochila sairá (demasiado) carregada de Yazd – irresistível o seu artesanato – e não é no principal mercado onde me vou ‘perder’. Aqui o turismo (ainda) não atrai os vendedores, vocacionados para as necessidades do dia-a-dia.
Ali perto, o complexo Amir Chakhmaq é um dos pontos de visita obrigatória. Mais uma imponente homenagem ao Imã Hussein, um dos mais respeitados mártires do islão xiita. Impossível cansar-me com a arte persa. Estes rendilhados como que nos envolvem, embrulhando-nos na sua magia. Quem não se rende?
Deambulando pela histórica cidade somos brindados com cerimónia religiosa na qual os camelos, ornamentados, são dos principais pontos de interesse.
Os altifalantes gritam sons do Islão. Há um speaker idoso com voz pujante a sobrepor-se e uma estação de televisão que insiste em baralhar o seu trabalho, tentando  entrevista-lo. A polícia e os responsáveis religiosos do desfile parecem descoordenados. O que importa isso? A via está completamente entupida. Carros, motos (com três, quatro, cinco pessoas…), camelos, pessoas em total caos… e é neste ambiente que nos sentimos em casa. .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?