Vakil, “O” bazar que celebra Shiraz

Irão Médio Oriente

O perigo espreita sempre que as expetativas são elevadas, mas o bazar Vakil não deixa ficar mal quem ousa sonhar. Um lugar que mistura o frenesim local com os produtos típicos regionais que os visitantes mais anseiam.
Artesanato. Especiarias. Doces. Roupa. Restaurantes. Casas de chá… Aqui, podemos encontrar TUDO. Com o aspeto mais cativante ao olhar, numa infraestrutura que, só por si, vale a visita. Uma verdadeira obra de arte.
O objetivo de fazer de Shiraz um grande centro de comércio passou por esta infraestrutura, onde impera o estilo arquitetónico da dinastia Zand, que, além de assinalável beleza estética, assegura a frescura do espaço no verão e o seu natural calor potenciado no inverno.
Aqui temos belos páticos, caravançarais, casas de banho públicas, lojas antigas onde encontramos todo o tipo de tapetes persas, artesanato diverso, especiarias, antiguidades… sem esquecer as mesquitas que, no Médio Oriente, costumam conviver com os bazares.
O complexo expandiu-se, mas a estrutura base forma, muito provavelmente, o bazar com mais ‘atmosfera’ em todo o Irão, principalmente na transição do dia para a noite, altura ideal para um chá num dos seus terraços, com a mutação de cores no céu e nas lojas.
Num dos terraços, há um ex-imigrante em Itália que providencia o melhor café que experienciamos em todo o Irão. “Eu sei do que vocês gostam”, diz-nos. E sabe mesmo. O lusco-fusco dá lugar a tonalidades cada vez mais intensas e expressivas. O raro chamamento do muezim no alto dos minaretes – xiitas e sunitas têm diferentes rituais religiosos, pelo que o Irão xiita opta por ser mais discreto no que ao chamamento religioso diz respeito – completa um quadro que apetece vivenciar dengosamente…
Obviamente, esquecemos o tempo e a direção. Perdermo-nos sucessivamente nestas ruas labirínticas, a melhor forma de descobrir singularidades, de nos abrirmos para o inesperado, inevitavelmente com experiências que nos tatuam a viagem.
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?