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‘Eram’, o jardim iraniano que a UNESCO celebra

Irão Médio Oriente

Um palácio de exuberante beleza. Natureza a condizer. Local tranquilo. Uma tela quase perfeita, não fosse o número de visitantes superar as minhas otimistas expectativas de momento mais intimista. E as ânsias de privacidade de alguns furtivos casais de namorados, em busca de um momento que permita mais do que um doce olhar nos olhos. No Irão, a sociedade ainda está longe de encarar com naturalidade gestos públicos de afeto.
Gosto de cursos de água. E ainda mais quando são rodeados de árvores e jardins. Para os amantes da natureza, um local obrigatórioem Shiraz. Umparque amplo, em renovação, com jardins luxuriantes. Árvores, flores, pássaros. E uma grande ‘piscina’ com tartarugas e peixes. E quem por cá passeia respeita o espaço, abstendo-se de falar alto. Também não há sinais de música ou outro ruído exterior. Apenas o som da natureza e de sorrisos felizes. E que privilégio é este éden no coração de Shiraz…
O palácio histórico é edifício com 32 quartos espalhados por dois pisos e decorado por azulejos com poemas de Hafez (o grande poeta lírico e místico persa, nascido há 700 anos e ainda o mais querido da nação) e o respetivo jardim começaram a ser erigidos a meio do século XIII. A estrutura foi renovada nas dinastias Zand e Qajar. Desde 1983 que integra o jardim botânico da universidade de Shiraz. Tranquilidade
Este é um dos vários jardins persas que a UNESCO distinguiu. Esta arte influenciou a forma de desenhar jardins em destinos tão distantes como a Espanha ou a Índia. Distinguem-se pelo papel preponderante da água (o país atravessa grave crise de seca) em projetos divididos em quatro setores: simbolizam o Éden e os quatro elementos do zoroastrismo, água, terra, fogo e ar.
O principal objetivo destes jardins era o de procurar a tranquilidade espiritual e recreativa (ponto de reunião dos amigos), de modo a ser, essencialmente, um paraíso na terra.
O grupo Bornfreee deslizou nos encantos do Eram, depois de ter explorado igualmente os ‘eleitos’ jardins Fin (Kashan) e Cehel Sotun (Esfahan).  .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?