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HAFEZ, o Imortal

Irão Médio Oriente

Imortal o que é recitado de cor 700 anos após a sua morte. Eterno o que sete séculos depois de ‘existir’ ainda faz brotar lágrimas a jovens e adultos. Perpétuo o que suscita amor incondicional. O que dizer de quem desapareceu há uns 255.000 dias e ainda inspira literatura, música, artes plásticas…?
Hafez (século XIV, supostamente 1315-1390) é tudo isto. Certamente, o ente mais querido e ‘sagrado’ de qualquer alma persa. É um Amigo. Confidente. Membro da família. Comove este afeto absoluto dos iranianos a uma das várias principais referências da sua história. Um sentimento de tal forma puro, intenso e consensual que nunca um português se aproximou de condição semelhante.
Chegamos com o sol a esbater-se no horizonte. As tonalidades do dia estão a cambiar e o complexo que alberga o seu túmulo, os jardins de Musalla, está pejado de respeitosos visitantes. Muçulmanos, cristãos, hindus… todos veneram a sua arte. O seu exemplo.
Uns recitam para o seu túmulo. Outros limitam-se a tocar a pedra onde jaz. Há quem apenas observe, em silêncio. Não faltam igualmente os que imortalizam o momento em fotografia. As pessoas deslizam em quietude, de respeito. Como se calcorreassem o paraíso.
Filho de comerciante de carvão falecido quando ainda era criança, Hafez celebrou, como ninguém na Pérsia, o amor, o vinho e a embriaguez. Expôs ainda a hipocrisia daqueles que se colocaram como guardiões, juízes ou exemplos de retidão moral. Os seus poemas líricos são notáveis pela sua beleza, pelo fruir do amor, pelo misticismo e pelos temas sufi que emprega…
A luz que à noite abraça o túmulo projeta-se nas diversas piscinas retangulares construídas entre os jardins e os inúmeros pés de laranjas e canteiros de flores. O antigo túmulo de Qāsem Khan Wāli (Hafez) é agora uma biblioteca que contém 10.000 volumes dedicados a Hafez.
Apraz sentir a veneração que o povo dedica ao seu poeta. E nada como brindá-lo com um lugar onde se respira tranquilidade e beleza, convidativo a momentos zen, relaxada meditação… .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?