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Naqsh-i Rustam, realeza ‘importalizada’‏

Irão Médio Oriente

São apenas uns cinco quilómetros até mudarmos de cenário, nem por isso menos impressionante em termos arqueológicos: estamos em local sagrado dos povos Elamitas, mais tarde convertido em local onde foram sepultados os reis aqueménidas, ‘Necropolis’.
Há quatro grandes túmulos, cruciformes, esculpidos na rocha, pertencentes a reis aqueménidas. A altura considerável acima do solo, para que dificilmente fossem  vandalizados. E para serem devidamente venerados.
Um dos túmulos está explicitamente identificado pela inscrição de Darius I, o Grande (522 a 486 AC). As outras são supostamente de Xerxes I (486-465 AC), Artaxerxes I (465-424 AC) e Darius II (423-404). Também nas montanhas atrás de Persépolis há mais dois túmulos não identificados, sendo que um deles poderia ser de Xerxes III, o último rei da dinastia aqueménida, derrotado por Alexandre Magno (O Grande).
O túmulo de Dário (Darius) I é o mais grandioso: tem à entrada quatro colunas decoradas por uma fileira de personagens, presidida pela figura de um rei ornado ante um altar de fogo, com o pé sobre um estrado.
“Sou Dário, o Grande Rei. Rei de Reis. Rei de países que contêm todo o tipo de homens. Rei de grandes territórios desta grande Terra”, é inscrição que o acompanha no além. Numa paisagem dura. Agreste. Com atitude.
Naqsh-i Rustam significa “o retrato de rostam”, pois os persas pensavam que o baixo relevos sassânidas sob os túmulos representaram Rustam, herói da sua mitologia.
Em frente à rocha encontra-se Cá Ba-i-Zartosht, um monumento zoroástrico. Na sua extremidade, dois pequenos altares de fogo.
Nas últimas décadas, têm sido encontrados uma grande variedade de objetos de imenso valor arqueológicos, tanto em cerâmica, como os artefactos relacionados com o rito funerário, que permitem fazer um estudo aprofundado do local e dos seus habitantes. Os vestígios mais antigos remontam há… 3.000 anos.
Impossível não nos deleitarmos com o que nos é dado a ver. Impossível passar o lado do ‘peso’ desta história.
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?