Shapouri House: jantamos no Éden?

Irão Médio Oriente

Diz o senso comum que dificilmente se come muito, muito bem em lugar de sonho. Que restaurante que deslumbra pelas vistas e charme, em interessante edifício histórico, raramente combina com o sublime prazer do palato. A menos que a carteira seja farta e disposta a investir numa experiência… Pois bem, Shapouri desafia essa ‘sabedoria’ popular. Numa atmosfera única, capaz de surpreender cada um dos sentidos…
As fotos desta mansão única e inovadora, com cerca de 85 anos, obrigavam a ‘peregrinação’ gastronómica. Até porque está a meros 100 metros do nosso hotel. O requinte do edifício de 840 m2 até nos faria relevar eventual desilusão gastronómica, o que não acontecerá. Longe disso! E temos sempre 4.635 m2 de jardins para apreciar, com lago em frente à mansão.
No meio de variada comida tradicional, exemplarmente confecionada, saboreamos muito provavelmente os melhores kepabs que comemos no Irão. O tempo está ótimo e vivemos o privilégio de usufruir de todos os luxos de um dos mais belos exemplos de edifícios históricos persas reconvertidos em restaurantes.
O balcão do primeiro andar é o melhor lugar para comer. Nas noites quentes oferece frescura. Nas tardes soalheiras providencia sombra. Se o frio apertar ou a chuva incomodar, as salas interiores são igualmente recomendáveis, sempre com motivos históricos, destacando-se as pinturas, candeeiros e espelhos.
Este edifício projetado por Abolghasem Mohandesi é símbolo da dinastia Pahlavi e de interesse nacional. Situa-se na zona velha e central de Shiraz, na rua  Anvari.
Não temos a felicidade de nos depararmos com concerto de música tradicional iraniana, habitual por estas bandas. Em dias diferentes, almoçamos, jantamos e, no coffee shop do rés-do-chão, tomamos o pequeno-almoço. Os Deuses não estão connosco. Teremos de voltar. É mais uma experiência no Irão que assim exige…

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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?