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Inesquecível ‘Ramos Generales’

América do Sul Argentina

Ambiente rústico. Um velho armazém. É também museu e serve comida de primeiríssima qualidade. Imperdível. Estamos no Ramos Generales, sem dúvida um dos melhores restaurantes de Ushuaia. Acima de tudo, uma experiência. E das melhores que guardo por esse Mundo…
Hoje é dia de festa. O septuagenário mentor deste singular projeto faz anos. Por isso temos música ao vivo – repertório que enamorou constantemente o tango, mas deambulou igualmente por outros géneros – e um ambiente quase a pedido. O espaço está cheio e fica a pena de não nos sentarmos todos na mesma mesa.
Na verdade, basta entrarmos neste lugar recuperado e histórico – esta antiga mercearia tem peças e objetos bastante peculiares – para nos embeiçarmos (nem precisamos de vestir roupa de presidiário em foto para a posterioridade). E quando a comida está ao nível do cenário, pouco mais podemos pedir. Don José Salomón, que aqui aportou em 1913, oriundo de Tripoli, Libano, não imaginou que o seu sonho seria a felicidade de muitos visitantes à Terra do Fogo.
Os Ramos Generales foram um armazém de abastecimento, mas também um lugar de encontro social e cultural, determinante no processo de construção de Ushuaia. Durante um século.
Por aqui passaram nativos e personagens históricos. Aqui encontraram refúgio muitos necessitados e aventureiros nesta terra inóspita. Todos ajudaram a tornar o espaço mítico. E místico. Com noites inolvidáveis. Como esta.
Temos festa. Musica. Sorrisos. Excelente comida e vinho à altura. Os portugueses merecem atenção especial. Uma e outra vez referenciados pelo aplicado cantor. E com mais de um brinde na nossa mesa do “Don” que hoje celebra um dos dias mais felizes da vida. Uma experiência inesperada, mas que marca a nossa jornada pelo Fim do Mundo.
Um privilégio fazer parte desta história…
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?