Tags:

La Sirena y el Capitan

América do Sul Argentina

Temos asas e vamos voar. Isto é o mesmo que dizer que temos carro à disposição, pelo que toda a Terra do Fogo está ao nosso alcance. Até o Lago Escondido…
É precisamente por aí que começamos. A uns 50 quilómetros de Ushuaia. A vista é soberba. E temos neve à mão para todo o tipo de ‘maldades’. Usamos e abusamos e rumamos ao Canal Beagle, agora por terra. Não sem antes várias paragens para o obrigatório registo fotográfico das paisagens.
Estância Haberton ou Puerto Almanza. Quem ganha? La Sirena y el Capitan! Um lugar simples, dos mais especiais e singulares deste Fim do Mundo.
Cabem somente cinco pequenas mesas. Apenas o ‘capitan’ e desconhecida sereia na cozinha. Aqui o mar tem outro sabor. É o ‘capitan’ quem, horas antes, assegura na pesca o que se vai comer no dia. Longe das multidões. Em lugar perdido. Com o Chile do lado de lá do canal…
Já vos disse que Puerto Almanza, poético reduto de pescadores, não tem mais de 20 casas e três restaurantes? E cavalos selvagens à solta. E aves de diferente porte e tonalidade. Este é o último lugar habitado do país…
A especialidade é a salada de ‘Centolla’ (nem imaginam o tamanho no ‘bicho’), deliciosas empanadas de marisco/centolla (caranguejo) e, obviamente, bom vinho. Só por si, a Sirena y el Capitan justificam esta jornada desde Ushuaia. Sendo que os últimos 30 quilómetros de trajeto são em terra batida, por terras inóspitas e uma ou outra quinta.
A pequena e rústica sala tem um rudimentar gira-discos e tango faz-se ouvir em vinil. Ouvimos algumas histórias. E bebemos mais um trago.
Na mesa ao lado, há família do norte da Argentina que tem um restaurante e que nos assegura – como se fosse preciso – a qualidade da comida que estamos a experienciar. E que nos aconselha sobre o vinho.
Apetece apenas desfrutar o local. Sem pressas, comer a melhor qualidade. Apreciar todo o cenário enquanto saboreamos a mestria culinária del capitan. Com vista para o canal e o Fim do Mundo. Esta experiência arrebata-nos!.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?