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Recoleta, muito mais que um cemitério

América do Sul Argentina

Evita Perón. Os ex-presidentes Nicolás Avellaneda, Miguel Celman, Bartolomé Mitre, Carlos Pellegrini e Domingo Faustino Sarmiento. Os prémio Nobel Luis Federico Leloir (Química) e Carlos Saavedra Lamas (Paz). Vicente López y Planes, autor do hino nacional da Argentina. Em comum? O facto de ‘morarem’ juntos. Onde? No famoso cemitério da Recoleta.
Situado num dos mais nobres bairros de Buenos Aires, com o mesmo nome, é um dos cemitérios mais visitados do Mundo – tal como o parisiense Pere-Lachaise – e um dos pontos turísticos inevitáveis na capital argentina. Incontáveis os ilustres. Há, por isso, visitas guiadas. E até se vendem mapas. Eva Perón, antiga primeira-dama, e que marcou a política do país, conquistando um lugar no coração do povo, ao nível de Maradona e Carlos Gardel, é quem recebe mais visitas. E flores.
As lápides são luxosas. Sobra ostentação nos túmulos. A exemplo da pujança económica do país no início do século XIX. Já não há espaço para mais…
Em volta, os jardins são muito requisitados. Inclusivamente para o mercado de artesanato que mais me agrada. A carteira vai ter de aguentar a minha perdição na Praça de França. Criatividade e inovação em produtos de qualidade certificada. Todos os fins de semana e feriados.
Esta feira começou há 45 anos quando um grupo de hippies começou a vender artesanato. O conceito cresceu, a qualidade aumentou e hoje são mais de 100 ‘tiendas’ a tentar-nos.
Por estas paragens, não há apenas o mercado e o cemitério, pois o Centro Cultural da Recoleta, a igreja do Pilar, o museu de Belas Artes e o monumento A Flor – gira seguindo o sol – justificam uma visita.
O tempo flui sem que por ele demos conta e é o apetite que nos desperta para a realidade: há um buffet asiático a uns100 metrosem frente à entrada do cemitério que prima pela qualidade aliada ao preço.
Como é bom piquenicar na relva num belo dia de solem Buenos Aires…    .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?