Birgu, Bormla e L-Isla: as três ‘irmãs’

Europa Malta

Cospicua (Bormla) e Senglea (L-Isla) juntam-se a Vittoriosa (Birgu) nas três cidades fundidas que podemos apreciar desde os altos jardins de Barrakka. Sem dúvida, um dos mais impressionantes e cativantes postais de Malta. É uma tela de história que apreciamos deste privilegiado balcãoem La Valetta.
Birgu é a mais antiga das “Três Cidades” adjacentes ao grande porto de Malta, vigiado pelo Forte de S. Ângelo na ponta da península. Foi aqui que os cavaleiros da Ordem de São João (agora conhecida por Ordem de Malta, instituição de benfeitoria social espalhada por todo o Mundo) se instalaram quando chegaram a malta em 1530, expulsos da ilha grega de Rodes pelos Otomanos. Foi rebatizada de Cittá Vittoriosa depois de resistir ao Grande Cerco de 1565, quando albergava o governo da ilha. Ainda assim, mais de quatro séculos depois, “Il – Birgu” impera nas raízes populares e é com esse nome que reside no meu peito.
L-Isla é como o nosso Porto, igualmente conhecida por cidade Invicta. Pequeno burgo fortificado do lado oposto ao grande porto que não chegará aos 3.000 habitantes. O cognome de Invicta surgiu no mesmo 1565 quando heroicamente, com as suas irmãs, se revelou intransponível para os invasores Otomanos.
Bormla é a mais densa das três cidades, ainda assim com menos de 6.000 habitantes, unindo-as com a sua localização intermédia.
O povoamento de Malta deveu-se muito ao Grão Mestre da ordem de São João, Jean Parisot de la Valette, que iniciou o planeamento de uma cidade fortificada que mais tarde assumiria a capital e o seu nome: La Valetta. O passeio de barco até Birgu é uma das missões obrigatórias a quem teve a feliz ideia de se aventurar por estas paragens, já que as três irmãs merecem visita, mais cuidada ou despreocupada.
Birgu é, sem dúvida, a mais cativante e o Forte de São Ângelo justifica tempo. Pelo que é e representa e também porque daqui temos outra privilegiada panorâmica da capital, mais uma tela que fica na memória. Como é fácil a Malta transportar-nos para tempos remotos…
Casas históricas, igrejas, escadarias, associações, bares e restaurantes típicos. Em carrossel de altos e baixos que conferem a Birgu um ar ainda mais cativante. Nada como perdermo-nos em deambulações e abrir-nos às surpresas, que não são poucas. Há um outro porto, bem mais modesto, nas suas ‘costas’, que merece ser demoradamente apreciado desde qualquer um dos morros no topo da cidade.
Estas três cidades, autêntico berço da nação, oferecem uma visão única sobre Malta e a sua história. Foram casa e fortificação para todos os que se instalaram na ilha. São, por isso, uma porção de vida autêntica, genuína sobre este país e a sua cultura. E permitem-nos igualmente um olhar singular sobre as fortunas marítimas, em soberbos iates que luzem no grande porto, ladeado por edifícios igualmente vistosos: palácios, igrejas, fortalezas e bastiões, mais antigos do queLa Valetta. Umporto usado desde os tempos dos Fenícios e, desde sempre, polvilhado de vida.
Dizem-me que aqui as festas que celebram os santos não têm paralelo nas ilhas. Na Páscoa, estátuas do “Cristo ressuscitado” são carregadas em corrida pelas ruas lotadas…
Não apanhei esse turbilhão religioso. As irmãs apresentam-se-me bem mais serenas. O dia desmaia e o por do sol dá incríveis tonalidades quentes a todo o cenário: a Valetta, para onde me descolo, e a Birgu e suas amigas que vão ficando para traz, na ponta do lastro difuso que a lua vai deixando nas serenas águas do Mediterrâneo. .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?