Fim do Mundo: Here I go (again)

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América do Sul Argentina

10.081. É o número de quilómetros que me separam do destino intermédio. Não promete ser fácil.  Pior quando o monitor indica, no minuto seguinte, 10.097. “Estamos em sentido contrário!!”, grito. Mentalmente. Não posso revelar o desespero de ficar enclausurado 12 (sim, DOZE) horas num avião. Que quer cobrar três euros pelos auriculares pelos sete filmes grátis (fazem questão de repetir várias vezes o GRÁTIS) com que nos presenteiam.

Descolamos de Madrid rumo a Buenos Aires. Partiramos do Porto quatro horas antes. Depois do habitual last minut para preparar a mochila. Montanha na Terra do Fogo e Patagónia, cidade em Buenos Aires e Montevideu, praia em Punta del Este, Cabo Polonio e Punta de Diablo. Sinto que venho despido. A mochila está demasiado leve. A Sandra sossega-me. É mulher e vai tão ‘arejada’ quanto eu. A minha retaguarda de sempre no www.bornfreee.com vem comigo na Expedição ao Fim do Mundo. Lá nos arranjaremos com os textos e fotos…

A manhã foi em Guimarães com pai e mãe. Hora de almoço a brindar os companheiros da Lusa com doce ‘regional’ pelo 45º aniversário e depois um ufa ufa pela mochila e últimos e-mails com a Argentina. E o peso de não poder responder a todos os que me enviaram mensagens simpáticas.

Andar de modelo. Loira virtuosa. Vem em direção a nós. Sandra interpela-a. Joga à defesa. Até perceber que estamos juntos. Carla voou de Lisboa e completa o trio. Horas antes, Cristóvão assumiu a responsabilidade de fazer sorrir Ro, Rita, Raquel e Mariana. Rui, Vânia e Patrícia não tardarão…

O avião da Air Europa não é muito espaçoso.  Nem tem a tripulação mais simpática. E precisa de revisão nas comodidades.

Buenos Aires está cinzenta. Depois, esconde-se no nevoeiro. Não tarda e é o dilúvio.  Temos de trocar de aeroporto. Seis horas para o fazer. Dizem que três para a viagem. Bastou-nos uma. Com trânsito chato. Pelo meio da cidade, mesmo ao lado do famoso Obelisco. O Newbery fica junto ao Mar de la Plata.

Fazemos check-in. E pagamos 3,5 euros por um chazinho de infusão. “É de ervas”, justifica a noviça, no seu primeiro dia de trabalho. Não sei o que andam a fumar na Argentina,  mas estes preços andam pornográficos.

Como a espécie de actriz das tatuagens e piercings. Ampla crista verde em cima de ‘tamancos’ de uns bons centímetros. Arrojados calções pretos e couro e casaco a condizer. Não há um centímetro por tatuar. Rosto. Pescoço. Braços. Pernas. Tronco… O companheiro é igual. E têm ambos três corninhos implantados em cada lado da testa. Pequenos diabinhos. Finalmente, ao vivo, aquilo que só em estranhos programas da tv tinha visto. Eles andam aí… E como adoro liberdade de expressão.  De ser e estar. A única queixa é que passam no detetor de metais sem pestanejar (como é possível??) e a nós exigem que exibamos o passaporte.  E as habituais perguntas de segurança. Caramba, viajamos há umas 24 horas, mas estamos com aspeto assim tão… Suspeito??


Sairemos com penosas duas horas de atraso. Não sem o nosso autocarro se perder na pista.  Eu e Carla somos os primeiros a embarcar e o bus segue tudo para a esquerda. Minutos depois, ao lado da pista, imobiliza-se.  Fica assim algum tempo. Até que arranca, abruptamente, dá meia volta e só para do lado oposto do aeroporto. Ainda temos direito a três minutos de feroz chuva enquanto estamos entalados ao cimo das escadas, sem conseguir entrar no avião. A Sandra já lá está. Sorridente. Como sempre. Estamos a três horas e meia do tão desejado Fim do Mundo: Ushuaia.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

2 comments

  1. Flávia Donohoe

    a vista da Cordilheira é um anúncio do que virá, a sua viagem deve ter sido fantástica e ao mesmo inspiradora, um dos meus destinos a visitar será Ushuaia, não sei quando, mas quero ir!

    1. Rui Batista Post author

      Flávia, fui duas vezes a Ushuaia… e sei que voltarei 🙂 Há um íman a puxar por mim… constantemente 🙂 Beijinho e boas viagens…

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