Formentor e o idílico Cala Figuera

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20160423_154541Miradouro em miradouro, rumo a norte. É difícil avançar nesta terra. Não falo do ziguezaguear do caminho, antes dos sucessivos exemplos de inesperada beleza que confundem a ideia (começo a pensar que preconceituosa) que sempre tive de Palma de Maiorca.
Formentor. É o nome do cabo que norteia o meu pensamento. Rompendo paisagens de surpreendente formosura, dirigimo-nos para o ponto conhecido por juntar todos os ventos. Perceberei porquê…
Sei que me esperam algumas das mais arrebatadoras vistas de Palma de Maiorca, desconhecia era que, também neste caso, o caminho é mais belo do que o destino em si. formentor
Curva após curva, luxuriante flora, montanhas brutas, cores intensas abraçadas por um céu de autoritário azul. Uma luminosidade que faz esquecer o estranho inverno que assombra Portugal.
São cabras que nos recebem no ponto mais a norte da ilha. Soltas em Formentor. Aparentemente felizes. E muito sociáveis: por vezes demasiado, tentando comer a roda da bicicleta de um dos ciclistas ainda com os bofes de fora pela derradeira subida. São 384 metros no ponto mais alto sobre o mar, bem lá em baixo. E várias baias associadas a esta referência, como as ‘cala’s’ Figuera, Murta e Pi de la Posada.
A paisagem é imponente, mas é já quando avançamos na exploração em direção a Port D’Alcúdia que petrifico. Paramos em zona proibida – difícil deixar este mau hábito lusitano, quando a formentor1paisagem nos enfeitiça – e descobrimos uma envolvente paleta de azuis. Mesmo ali em baixo. Rodeada de inóspita rocha e montanha. Cala Figuera…
Avançamos e estacionamos. E são uns 20 minutos a descer, por terrenos íngremes e irregulares, pouco propícios para aventuras, até encontrar a desejada praia. Deserta. Totalmente. Este postal é todo nosso.
Há pedras onde suspiro por areia fina, que afagarão os meus pés só calafigueraquando já usufruo destas águas cristalinas. A temperatura da água também podia ser mais convidativa, mas neste cenário não vou ser esquisitinho. Isabel, Patrícia, Joana e Marco não sabem o que perdem por se deixarem intimidar por estas condições e optarem por serem meras testemunhas do meu prazer.
Como vim ao Mundo, usufruo do melhor que esta ilha até agora me ofereceu. Já nem sinto a temperatura da água e quando esta me dá pelo pescoço já é sublime areia fina que me afaga os pés. Quem, lá em cima, ao longe, avista a minha felicidade será tentado a descer. Mas ninguém o faz no tempo em que por cá ficamos.
Mais tarde, após momentos de egoísta luxúria, é com frustrada renitência que sairei da água. Faço-o com a certeza de que este é dos melhores momentos desta jornada por Palma de Maiorca.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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