Adeus Palma, Olá Bucareste!

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Europa Roménia

Bucareste até pode tentar, mas tem dificuldade em impor-se como uma das cidades mais charmosas da Europa. Motivos externos e razões internas impedem-na de ter um papel mais ativo nas preferências dos viajantes. Muitas das suas congéneres do Velho Continente são, de facto, mais completas e interessantes. A amansar ainda mais a sua potencial vaidade, a Transilvânia. Esta região é, indubitavelmente, um regalo que concentra todos os olhares e atenção quando se fala da bela Roménia.
Ainda assim, longe de ser patinho feio. Mesmo que chova, como é o caso. Deixar o sol de Palma de Maiorca para a chuva incessante de Bucareste é choque que ninguém merece.
Patrícia, Isabel, Joana e Marco ficam para trás. Despedem-se eufóricos, sem aparente desejo de me encontrar nos tempos mais próximos – eu bem sei que é dessa forma ‘charmosa’ que insinuam que vão sentir demasiado a minha falta -, felizes porque ainda os espera mais um par de dias na idílica ilha espanhola.
Aterro à hora de jantar e experiencio a lotaria que é apanhar um táxi. O bendito (sem ironias) choque cultural começa logo aqui. Três máquinas à saída do aeroporto são verdadeira lotaria que nos vai atribuir transporte taxipara a baixa. Estou há 10 minutos a tentar quando me sai o ticket de uma das várias empresas a operar. “Tens umas mãos de sorte”, sorriem as duas jovens que me ladeiam, bem próximas de um ataque de nervos. Não acreditam na gentileza de lhes dar o talão premiado. Faço-o também porque ainda espero pela Sandra, que vem ‘direta’ do Porto. Uns 15 minutos depois abraça-me com o seu sorriso, quem nem o cansaço apaga. A anunciar a sua chegada, finalmente o talão da sorte…
Não chega a 10 euros para meia hora de viagem. O centro histórico é onde nos instalamos. Continua centro. E persiste histórico. Embora completamente adulterado: bares, restaurantes e lojas ocuparam uma zona que já foi icónica. Uma das poucas que o ditador Nicolae Ceaușescu não terá maltratado.
Sem favor, Bucareste tem potencial para nos entreter um par de dias. Começamos?

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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