Sighisoara, a Alma Medieval da Transilvânia

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Europa Roménia

Sabem aqueles lugares do Mundo que nos maravilham e aos quais prometemos voltar? Pois bem, estou a cumprir o sonho iniciado em 2012: o retorno a Sighisoara.

O centro histórico de ‘lugarejo’ torna-o quase invisível no mapa da Roménia, mas sobra-lhe dimensão no meu lado sensorial. Sighisoara encarna bem o que aprecio nas maravilhas medievais dessa Europa. Vlad, O Empalador (Vlad Tepes, que a literatura de ficção – Bram Stocker – transformou em ‘Conde Drácula’) é o filho pródigo deste burgo do século XII no qual deambulo uma e outra vez, perdido nas ruelas de paralelepípedo pintadas a cores quentes, num arco-íris ‘vintage’.

Aos poucos, Sighisoara vai recuperando e ruínas vão sendo transformadas em galerias, restaurantes, lojas, bares… antes o turismo, do que o degredo. Este lugar merece futuro. Risonho.

Ainda não falei das engalanadas torres. Das construções imponentes que fazem deste tipo de arquitetura a minha favorita no Velho Continente. Ajuda a colocar a Roménia no meu pódio de eleição na Europa.

Preciso dizer que estes 850 anos de história e cultura dos Saxões na Transilvânia só podia ser Património Mundial da UNESCO? Desde 1999 que a obra iniciada pelos artesãos e comerciantes alemães foi consagrada internacionalmente.

Tal como no Portugal de outros tempos, o piso inferior das casas – muitas, mal amanhadas – era uma loja ou oficina (por vezes, gado), enquanto o andar superior era destinado à habitação. Com o turismo, o piso térreo é agora dedicado ao comércio e o superior a todo o tipo de hospedagem.

A Torre do Relógio (século XIV) e a Passagem das Velhas Mulheres anunciam a pequena, mas bela e aconchegante cidade velha. E tornam a ascensão à cidadela de Sighisoara mais fácil durante o Inverno para os mais idosos que, ainda assim, parecem já não ser a maioria nesta cidade que ronda os 30.000 habitantes. O crescente turismo ajuda a fixar os mais no vos.

A Torre do Relógio é mesmo a principal imagem de marca da cidade. Vê-se ao longe e, do seu topo, vista privilegiada de 360º. Alberga um pequeno museu, da história da cidade, mas o ‘bater’ das horas, animadas por apelativos bonecos mitológicos, é o que mais prende os curiosos. Tal como a pequena sala de tortura, que também pode ser visitada. Em frente, um pequeno museu de armas.

A uns trinta passos, contados, a casa (amarela) onde nasceu Vlad Tepes, ainda hoje recordado. Venerado. Desejado. “Era muito duro e cruel, certamente, mas nessa altura não havia crime. Tínhamos uma sociedade mais ímpia”, surpreende-me uma jovem universitária. Dizem que Vlad era exímio estratega militar. E que a sua desumana técnica de empalamento controlava os cidadãos e aterrorizava os inimigos. No rés-do-chão da casa que o viu crescer funciona agora um restaurante. Tepes não deve estar satisfeito…

A histórica escadaria coberta (1642), em madeira, é composta por 175 degraus que nos conduzem à Torre do Relógio, mas também nos leva à igreja luterana. Vários credos parecem coexistir, pacificamente. A cidadela é protegida por vária torres. Todas diferentes, mas iguais nos grandes telhados inclinados. Várias serviam como portas da cidade.

No lugar mais alto de Sighisoara, há um histórico cemitério cuidado por um zeloso coveiro e o seu cão. Junto a uma igreja gótica (1345-1525) que também apetece explorar e que foi erigida sobre as ruínas de uma fortaleza.

Se as cores dominam de dia, a noite não é menos mágica na bem iluminada cidadela. É uma nova e não menos estimulante experiência sensorial. Os vários restaurantes fieis aos tempos medievais ajudam a compor o cenário.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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