2351 (metros), Aventura no Pico.

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Em Portugal

Agreste. Belo. Desafiante. E uma tortura para quem não estiver preparado. É assim a subida ao Pico, o mais alto ponto de Portugal.
A Serra da Estrela é uma menina ao seu lado: o Senhor Pico é altivo e difícil de domar. Chegar à ilha açoriana pode ser, já por si, uma odisseia, ainda assim incomparável com o desafio de ‘escalar’ esta montanha fértil em veias de lava. Irreverente com os seus 300.000 anos de vida.
Despertar cedo. Madrugar e ‘rezar’. Não é todos os dias que podemos galgar o seu dorso. E a instabilidade do tempo só complica. “Em julho, quando supostamente é melhor para subir, vi o negócio a andar para trás quando não pude, num só dia, cumprir a mega operação de subir com uns 100. O grupo esperou quatro dias e partiu…”. A dor de Joäo assistiu a quatro a cinco mil euros a esfumar-se como as nuvens que regularmente abraçam o grande símbolo da ilha.
Já adiei expedição às baleias e golfinhos. E a camara de vídeo que transmite em direto de vários pontos da ilha mostra o pico completamente envolto. Chove. Hoje não dá. Preocupação.
O alívio anima-nos na madrugada seguinte. Está bela e chamativa. Nem um farrapo a turvar a nossa visão do magnífico Pico.
Litro e meio de água, distribuído por duas garrafas. Barritas energéticas. Fruta. Sandwichs. Bolachas. O peso mínimo, com a garantia de combustível suficiente para o corpo. Que ainda não sabe que vai caminhar nove horas…
O calçado é igualmente vital. Bom. Seguro. Confortável. Para montanha e preparado para piso sempre traiçoeiro. Os pés agradecem. E a segurança também. As variações súbitas de ‘humor’ climatérico aconselham a prevenção do inevitável calor inerente ao esforço da subida, bem como ao frio e chuva típicos das quatro estações que podemos encontrar.
Partimos do chuvoso Pico das Lajes. No planalto já estamos acima das nuvens e o Pico apresenta-se com arrebatador esplendor. Imponente. Desafiante. Como que a seduzir-nos para experiência brutal. Quando chegamos à casa da montanha, onde tudo começa, já o cenário altera por completo… Mal se vê e o orvalho tudo abraça.
Assinadas as formalidades, ouvidas as indicações e conselhos, está na hora de partir. São 09:00 e há quem tenha iniciado a ascensão às 06:00. No fim da primeira das espaçadas 45 marcas (espaçadas, em distâncias diferentes) que indicam o caminho, já só trajo t-shirt. O calor é mais forte do que o frio e orvalho. E a sede começa. O nevoeiro turva-nos a visão e pouco enxergamos à volta. Apenas uma paleta de difusos verdes e plantas endémicas.
Duas horas depois tudo muda. Não vemos ainda o mítico piquinho, encolhido na estrutura da montanha, mas os olhos já estão postos lá em cima. E na deslumbrante paisagem que se desenha a nossos pés.
Há quem pergunte a quem desce se falta muito. Erro crasso. A resposta nunca é a desejada. Nada moralizadora. Mas a visão arrebatadora logo se encarrega de nos devolver ao objetivo. Ânimo. Focados, novamente.
Quatro horas e tal depois, o grupo, unido, chega ao cume. Vence o Pico. E logo se embeiça e surpreende com os pontos minúsculos que lentamente se movem no colo do piquinho. São os aventureiros que não prescindem da cereja na sua experiência. A parte mais complicada e impressionável. Imprópria para quem sofre de vertigens. Sentamo-nos e comemos para descansar e alimentar as energias para o assalto final. Que não pode ser feito de bastão.
Na verdade, espera-nos um desafio de quatro apoios. Ambos os pés e mãos em posição firme e segura. Não olhar para baixo. E subir. Fila indiana, mas não muito próximo de quem nos precede ou vem a seguir. É mais seguro…
Quando as fumarolas me embaciam os óculos, ainda não sei que estou a chegar. O sol esmaga e este inesperado bafo do âmago da terra não vem a jeito. Seco as lentes e avanço. O vento levanta-se, feroz, como o último e inesperado obstáculo. Até que a assombrosa visão tudo faz esquecer. Conseguimos!!
Saborear o êxito é brutal, sobretudo quando ainda ignoramos que o pior está para vir: a desgastante e perigosa descida.
Enquanto vivemos na inocência, desfrutamos de um cenário esplendido. Meia ilha coberta. As nuvens avançam como o pó do ataque do maior e mais feroz exército do Mundo. Do outro lado, verde que se espraia ate ao imenso Atlântico, que sempre mimou esta bênção da natureza. Vejo São Jorge. E o Faial…
Todos tiram momentos para si. Destaca-se a luz no olhar de quem julgou nunca conseguir. Tudo é belo e pleno. Assombroso. Para os mais frágeis, a sensação de que domado este desafio, poucos na vida podem atemorizar. É hora de glória, mas temos de descer…
O vento logo nos dá o primeiro aviso das dificuldades. rajadas inesperadas seguidas de fumarolas. E, como se não bastasse, a imprudência de atender um telefonema… Não caio por milagre e o telemóvel tem ainda mais sorte do que eu…
Voltamos a uma base que parece lunar. Aquela onde o piquinho está plantado. E onde fica quem aqui pernoita (não se pode acampar, mas uma noite é permitida). Recolhemos quem prescindiu do assalto final e, prosseguimos com a caminhada. Há muito terreno pela frente.
A cada passo é um aperto no peito. Alguém escorrega. Muitas vezes cai. Desta vez sem sequelas. E da próxima? Recomendações sucessivas de cuidado. Paragens amiúde. Sustos regulares. Mochila às costas evita que algumas quedas deixem maior marca. Protegem a cabeça de descontrolados trambolhões de costas. Vamos contando os passos e nem acreditamos tudo quanto subimos.
Mais tarde, passamos novamente por nuvens. Depois, vemos pontinhos coloridos ao fundo da montanha. São os carros. Em tamanho microscópico. E tardarão a crescer…
As escorregadelas e as quedas aumentam. Pudera: o cansaço dita leis. As pernas perdem força. O caminho é (muito) traiçoeiro. Irregular, escorregadio, imprevisível. Desistir, não é opção. Resgatados? 1600 euros + IVA.
Os bastões são ajuda determinante. Ruby prescindiu. É polícia macaense que cruzou meio planeta para se juntar ao grupo BORNFREEE.com e está em boa forma. Todo o caminho focada. Concentrada. Até que cai…
Pelas dores imagino que não são apenas escoriações. A dificuldade em andar é óbvia. Tal como o temor em pousar o pé. Que persiste. Máscara de dor. Saberemos depois que fraturou o tornozelo…
Ainda são umas duas horas até à casa da montanha, onde tudo começou, onde tudo termina. Com a sensação de que não se conseguiu pouco. Vencer o Pico equivale a medalha olímpica!
Independentemente de tudo, a subida ao ponto mais alto de Portugal é uma das experiências extraordinárias que não se pode perder.

 

 

A TER EM CONTA:
– O verão é a melhor altura do ano para subir, mas, mesmo assim, o clima nos Açores é uma lotaria. Ter dois/três dias de margem pode ser essencial, ocupando eventual impossibilidade com um plano B no Pico.
– A condição física é essencial. Não é preciso ser Super-Homem ou Super-Mulher, mas há os ‘mínimos’. Se não se sentir em condições para um desafio físico de, pelo menos, oito horas, não se meta em trabalhos. Nem estrague a subida a quem está consigo.
– A menos que tenha extrema experiência de montanha, aconselho subir com guia. Não porque o caminho não se encontre – é relativamente fácil – mas para diminuir as possibilidades de algo correr mal. Se correr, em boa-hora agradecerá a ajuda e experiência proporcionados por esse investimento. Para contratar um guia (preços entre os 40-50 euros/pessoa) basta dirigir-se ao posto de turismo e pedir a lista dos credenciados.
– Quanto mais cedo iniciar a subida, melhor. Evite principiar a caminhada a hora tardia. Preferencialmente, atacar a montanha até às 08:00. Terá mais tempo para gerir o ritmo e as dificuldades. E para saborear intemporalmente o mítico piquinho. Os ousados? Deixo ao seu critério…
– A ideia é dormir lá em cima? Vá bem apetrechado. Acredito que o por e o nascer do sol devem ser brutais, mas o frio e o vento devem ser tidos em conta. Agasalho, iluminação e comida.
– Descer é mil vezes pior do que subir. Nunca esquecer isso. Não facilitar. A subida é um grande teste à resistência física, enquanto descida é verdadeira aferição das capacidades de equilíbrio, para não escorregarmos/tropeçarmos/cairmos.

– Evite aventurar-se sozinho. Não há assim tanta gente na montanha. E aumenta as possibilidades de algo correr mal. O trilho é relativamente longo e sinuoso, muito íngreme e escorregadio.
– O trilho começa junto à Casa da Montanha. Há outros lugares para principiar a subida, mas aqui é o único trilho oficial, não sendo permitido entrar na Reserva Natural da Montanha por outros locais. Aqui tem de se registar e recebe um aparelho de geo-localização e informações básicas sobre a montanha e cuidados a ter. Aqui há wc, um pequeno bar, cacifo e pode ver um filme sobre o Pico.

 

MATERIAL ACONSELHADO:
– Botas de montanha em bom estado.
– Roupa: preparado para amplitudes térmicas desde o fresco da manhã com possível orvalho ao frio/vento do fim do dia. Privilegiar as camadas de roupa, que vai tirando/acrescentando mediante as alterações climatéricas. Nunca esquecer casaco impermeável.
– Mantimentos: litro e meio de água por pessoa, sandes, fruta, chocolates e barras energéticas. O necessário, não em demasia, pois será necessário carregar tudo.
– Protetor solar. Não faltam incautos a apanhar fortes escaldões.
– Máquina fotográfica.
Se dormir lá em cima: lanterna/frontal (também para o caso de subir/descer durante a madrugada ou ser previsível que a descida se efetue ao final do dia).
– Camisolas polares/luvas/gorro.
– Saco-cama.
– Mais mantimentos.

 

Subir o Pico é das mais gratificantes experiências tidas nos 100 países que visitei. Não hesite. Comece JÁ a planear esta fantástica aventura!!

www.bornfreee.com

 

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

57 comments

    1. Rui Batista Post author

      Obrigado, Marta 🙂 Estou certo de que embarcarás numa próxima aventura BORNFREEE. É a tua cara 🙂 Bjksssss…

        1. Rui Batista Post author

          Leonor Vaz… ai aiiiiiiii… Para a próxima. Tens aí um excelente motivo para voltar aos Açores e à bela ilha do Pico 🙂 bjkss

  1. Naiara Back

    Só por referir que é a mais alta montanha de Portugal já mexeu com a vontade de subi – lá ? amo esportes e unir usso numa viagem então… pena é ser nos Açores, mas quem sabe… essse é o incentivo que falta para viajar para lá ☺

  2. Francisco Agostinho

    Olá Rui, que caminhada fascinante sem dúvida, tenho um amigo no Pico que me falou já várias vezes disto, muitas vezes não nos lembramos deste percurso que é dos mais bonitos do mundo, Obrigado por me lembrar que o tenho de fazer !

    1. Rui Batista Post author

      Francisco Agostinho, é MESMO para fazer. Acredita que vai ser uma ‘medalha’ nas tuas viagens. Abraço!

    1. Rui Batista Post author

      Fernanda Carvalho, é recíproca a paixão entre portugueses e brasileiros… das gentes, das paisagens, das culturas… Obrigado e beijinho para o outro lado do Atlântico 🙂

  3. Marta Chan

    Muito obrigada por este post! Ainda não tinha encontrado um post tão detalhado sobre a subuda ao pico. Confesso que fiquei meio receosa do caminho, especialmente para baixo, mas é isso, importa é não desistir e temos de subir a montanha mais alta de Portugal, não é verdade? ?

  4. Rui Batista Post author

    Obrigado, Marta Chan. Não é fácil, mas longe de ser impossível. É preciso é que as pessoas tenham consciência do que podem encontrar: confesso que eu não tinha. Daí o encontrar a necessidade de partilhar. Agora quero ver o relato da tua subida… acredita que vale a pena 🙂 Beijinho.

  5. Ana Campeão

    Um relato extraordinário da subida ao ponto mais alto do nosso Portugal! Quase me senti novamente a subir o Pico:-) A sensação de superaçao é indescritível!…

    1. Rui Batista Post author

      Obrigado, Ana Campeão. Espero que a tua subida tenha sido tão estimulante quanto a minha. É, de facto, uma experiência memorável… Beijinho…

  6. Marlene Marques

    Depois de ler o teu post acho que ganhei um novo respeito pelo Pico. Nunca imaginei que fosse tão difícil subir (e descer). RESPEITO! Mas apenas posso imaginar que a sensação quando atinges o topo deve ser única. Só das tuas imagens e descrição, já viajei até lá! 🙂

    1. Rui Batista Post author

      Marlene Marques, RESPEITO é mesmo a palavra certa. Eu também. É um mix de fantásticas emoções, a juntar à experiência sempre ímpar de saborear os nossos incomparáveis Açores… Beijinho e obrigado.

    1. Rui Batista Post author

      Olá Catarina Leonardo,
      Muito obrigado pelas amáveis palavras. O Viajar pela História é, igualmente, um projeto super-interessante. Espero que tenha a oportunidade de um dia subir o Pico e possa partilhar connosco as sensações 🙂

  7. Jinyu

    Posso dizer que todas as montanhas que eu subi sao mais de 2500 metros? hahaha…No entanto, sera fantastico pisar no ponto mais alto de Portugal! Gosto muito da sensacao de caminhar dentro da floresta, do nevoeiro, da nuvem, a comunicar com a natureza! (^_^) Um dia levo te a caminhar nas montanhas na minha provincia que sao muito mais altas!

    1. Rui Batista Post author

      Fico à espera disso, Patrícia 😉 Gosto imenso de natureza e a China tem montanhas impressionantes. Serás a minha guia 🙂 bjkssss

    1. Rui Batista Post author

      🙂 Obrigado minha querida… Depois de teres vindo à Patagónia, haverias de ter gostado do Pico. Registo diferente, mas tens de ir lá 🙂 bjksss…

  8. Pedro Henriques

    É uma falha minha ainda não conhecer os Açores, nomeadamente o Pico porque sou praticante de montanhismo! Bom artigo com boas dicas e fotos! parabéns também pelo no site, abraço Rui.

    1. Rui Batista Post author

      Obrigado, Pedro! O mérito das fotos tenho de os repartir com o grupo que subiu comigo, são de várias pessoas. Ainda bem que gostas do site. Tem sido excelente ouvir os imensos feedback 🙂 Grande abraço!

  9. Adriana Mendonca

    Que maravilhoso! Nem sou tão fã desse tipo de aventura, mas seu relato faz a gente até ficar com vontade! Não conhecia nada a respeito do pico mais alto de Portugal, muito interessante! Adorei!

  10. Gê Azevedo

    Você conseguiu me transmitir aflição e tensão, mas também me fazer sorrir com o teu relato! Excelente o artigo! A sensação da vitória deve ter um gostinho muito especial!

  11. Oscar | www.viajoteca.com

    Que aventura legal!! Achei linda a primeira foto do post!! Tenho muita vontade de conhecer os Açores deve ser um destino fantástico. Tenho uma prima que morou nos Açores por 3 anos e as fotos que ela tirava eram de tirar o fôlego.
    Obrigado por compartilhar

    1. Rui Batista Post author

      Oscar, aconselho-te a visitar os Açores antes que o turismo lhe tire o encanto da genuinidade. Abraço e boas viagens!

    1. Rui Batista Post author

      Obrigado eu pelo comentário, Gabi. Um dia ainda nos cruzaremos num trilho deste Mundo… bjkss e boas viagens…

  12. Rafaella

    Essas aventuras e adrenalinas são maravilhosas!!! Adoro essas loucuras do dia a dia que enfrentamos. Parabéns, as fotos ficaram ótimas, excelente matéria!

  13. Laura Sette

    Adorei o seu relato! Também sou amante das trilhas e montanhas. Não tinha conhecimento da montanha mais alta de Portugal, gostei de saber! Ano passado tive a oportunidade de subir a 5ª montanha mais alta do Brasil (Pico das Agulhas Negras, 2.791m) e foi uma experiência inesquecível! <3
    Um abraço desde Copenhague

    1. Rui Batista Post author

      Obrigado, Laura! Um dia ainda nos cruzaremos num qualquer trilho do Mundo 🙂 beijinho e boas viagens…

  14. Fernanda

    Que agonia esse post. Rs. Me vi ali no sacrifício com vocês.
    Subi uma montanha na Bolivia nesse mesmo esquema e é uma das recordações mais lindas e dolorosas que tenho de Viagens.
    Mandou muito no relato! Como sempre 🙂

  15. Simone Hara

    Que aventura incrível! Adoro ler esse tipo de relato e tentar viver um pouco da experiência pelos colegas blogueiros, já que infelizmente meu joelho não me permite curtir esse tipo de jornada como eu gostaria.

    1. Rui Batista Post author

      Renata, nada como um bom desafio de montanha… e quando é em imponente ilha, então a recompensa é ainda maior 🙂 Beijinho e boas viagens…

  16. Flavia Zenke

    Fiquei cansada só de ler o seu relato rss… brincadeiras a parte achei fantástica a trilha e a paisagem belissima. acho que vale a pena para quem gosta de aventura e com certeza eu toparia fácil. Belo post!

  17. Luiza Cardoso (olhosdeturista)

    Caramba, 9 horas de subida não é para qualquer um não! rss! Parabéns! Adoro picos mas vou deixar esse para quando eu tiver condição física melhor, como você sugeriu. Mas que bacana foi ler a sua experiência, realmente merece a medalha olímpica! =)

    1. Rui Batista Post author

      Luiza, as 9 horas foram entre subida e descida, curiosidade a parte mais difícil e exigente. E perigosa. Mas, acredita, a recompensa é sublime…

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