Persépolis, o ‘fantasma’ vive!

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Irão Médio Oriente

Gosto de viajar. E aprecio igualmente fazê-lo dentro da própria jornada, indo a lugares que me fazem regressar a tempos (bem) idos. Aqueles que glorificaram um país ou civilização. E o Irão é lugar privilegiado para nos encontramos com culturas antigas.

É, por isso, com o espírito da curiosidade nos pícaros que abandonámos Shiraz para nos dirigimos uns 70 quilómetros rumo a… Persépolis.
Não, não se trata do premiado filme animado que narra a história de uma menina iraniana desde a revolução até aos dias de hoje. Falo da antiga capital do império Aqueménida, o mais vasto que o Mundo tinha conhecido até então, dominando todo o Médio Oriente, tocando o Egipto, Grécia e Índia.
Estamos em 518 AC quando Darius I começou Persépolis e progressivamente o tornou num impressionante complexo de palácios inspirados em modelos mesopotâmicos. Estamos aos pés da montanha Kuh-i-Rahmat, na planície de Marv Dasht, e apreciamos um imenso terraço elevado, metade artificial, metade natural.
O que hoje resta é pouco, ainda assim um conjunto de ruínas impressionantes de monumentais palácios de pedra, túmulos, relevos, colunas, pórticos e esculturas. Imagino o que teria sido no auge do esplendor do império, há 2.500 anos. A UNESCO reconheceu o interesse desta capital religiosa em 1979.
O conquistador macedónio Alexandre, o Grande nunca perdeu uma batalha no seu desejo de expansão, desde a Grécia até ao Afeganistão. O império Aqueménida não foi exceção. E por cá se instalou, até destruir a cidade com um imenso incêndio. Depois de a ter devidamente saqueado, claro. Dizem que precisou de 20.000 mulas e uns 500 camelos para o seu exército carregar todos os tesouros saqueados de Persépolis e seus grandiosos palácios. Especialmente os do magnífico Palácio de Apadana, um dos sítios mais importantes do complexo, possível de fantasiar só por observar as imponentes colunas, com uns 20 metros de altura, sucedendo-se em ‘procissão’ triunfal.
O Palácio de Xerxes (“Governante de Heróis”), que planeou a invasão da Grécia em 480 AC, foi alvo de especial dedicação na fúria de Alexandre o Grande na sua brutal destruição vingativa.
Ainda assim, é possível encontrar painéis de relevos com singulares e belos detalhes fisionómicos (impressionantes como resistiram a 2.500 anos… é preciso tocar para crer) de animais, membros do estado e nobreza aqueménida, a sua guarda imperial e figuras de representantes de outros impérios distantes, desde egípcios, etíopes, assírios, arménios ou indianos. Todos trazendo presentes. Opulência e beleza dos traços. Que representam também os famosos ‘imortais’, figuras maiores do filme ‘300’.
A Porta de Todas as Nações, logo após subir a colossal escadaria de acesso ao complexo, é dos lugares mais simbólicos de Persépolis. E, admito, não deixa de ser interessante avançar por uma entrada erigida há milénios e na qual desfilou, entre outros grandes líderes de impérios extintos, Alexandre o Grande.
Entende-se bem o imensurável orgulho nacional iraniano que representa Persépolis: sentimo-nos privilegiados por estarmos mais próximos da história. São ‘apenas’ ruínas de um império avançado, mas que marcou a civilização.
Garantem-nos que aqui não havia trabalho escravo como no Egipto, que homens e mulheres recebiam o mesmo e que até havia uma espécie de baixa remunerada por acidentes de trabalho. Em alguns capítulos de igualdade e justiça social, o Mundo ainda tem muito para aprender…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

9 comments

    1. Rui Batista Post author

      Fernanda Souza, seja o Irã ou ao Irão, o melhor é fazer as malas o QUANTO ANTES, para que ainda encontre um país fantástico e autêntico. Certamente, o turismo vai florescer no país…

  1. Danielle Bispo

    Gente que post sensacional! Nunca pensei em conhecer o Irã e agora começo a me interessar. Adorei especialmente a parte em que os trabalhos foram realizados com igualdade e justiça!

    Bjs
    Dani Bispo

    1. Rui Batista Post author

      Danielle Bisto, dos 100 países que conheço… certamente aconselharia o Irão como número 1 🙂 Se nunca penso em ir… estará na altura de o fazer 🙂 Obrigado pelas palavras e beijinho.

  2. Larissa Pereira

    O Irã é um sonho meu, mesmo! Quero muito visitar essa parte do mundo, tão antiga e tão importante! Adorei ler suas crônicas sobre Persépolis! Aliás, me lembra muito do livro Persépolis!

  3. Lidiane Albuquerque

    Quanta história nesse lugar ! Realmente deve ser muito interessante visitar Persépolis, não tinha ouvido falar ainda… Adorei ! 😉

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