Serenissima Repubblica di San Marino

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Europa San Marino

Estou a pensar que o nome não lhe poderia vestir melhor, quando uma nuvem de turistas se move no horizonte. Avança, impetuosa e desordenada, até se instalar, definitivamente, por todo o país.

Melhor, na sua cidade central, San Marino, que, do alto do monte Titano, vigia outros oito pequenos municípios, sem interesse turístico, apesar da sua relevância económica. Chegar cedo é a primeira lição, pois, pelas 10:00 San Marino quase já duplicou a sua população.

De facto, San Marino é pequeno, pois não ultrapassa os 61 quilómetros quadrados (na Europa, apenas Vaticano e Mónaco têm menor área), sendo que o número de habitantes ronda os 33.000. A república mais antiga do mundo – igualmente o Estado mais velho – é um enclave dentro de Itália e um exemplo de sobrevivência, tendo resistido à união da nação transalpina e até a Napoleão, que, inclusivamente, a protegeu e ofereceu mais terras, prenda sabiamente recusada, para evitar problemas futuros.

Antes que me esqueça, o belo e bem preservado centro histórico e o monte Titano foram reconhecidos como Património Mundial da UNESCO em 2008.

Diz a lenda que foi fundado em 301 por Marinus, um pedreiro cristão. Mas somente em 1291 o Papa o reconheceu como um Estado. Na I Guerra Mundial alinhou ao lado de Itália, mas na II conseguiu a neutralidade face a Benito Mussolini, tendo, inclusivamente, albergado 100.000 refugiados.

San Marino tem uma peculiaridade: parece não ser habitado. Tem interessantes e imponentes edifícios, mas faltam habitantes, certamente instalados nas zonas baixas. O centro histórico está pejado de lojas para turistas (sobram as que vendem armamento histórico), uma verdadeira armadilha para os incautos. Uma espécie de Disneylândia para o turismo de compras.

As Três Torres, representadas na bandeira do país, são um símbolo de San Marino, servindo, no passado, como a melhor forma de vigiar todo o seu território. Guaita (século XI), Cesta (XIII) e Montale (XIV) constituem o orgulho maior da nação, embora apenas as duas primeiras estejam abertas ao público. O ideal é caminhar até à segunda, onde está o museu. Ir até à terceira vale pelo passeio na natureza, pois está interdita a visitas.

Para os amantes dos tempos medievais, a segunda torre é imperdível. No seu interior há informação histórica sobre as mesmas e vários artefactos de outros tempos. Conseguimos ser transportados para uma outra era.

As vistas deste imponente rochedo – ergue-se a 657 metros e alcançam um longínquo horizonte, até ao Mar Adriático, que banha a balear Rimini, de onde é fácil chegar, em transportes públicos (autocarro) – são o maior ex-líbris do país. Impressionantes.

Aventurar-nos pelas ruas estreitas – poucas estão abertas ao trânsito – é mesmo a melhor forma de explorar o país. Na verdade, não temos grandes hipóteses de nos perdermos. E temos até o privilégio de, a cada passo, tropeçarmos num edifício ou monumento histórico.

O Palácio Público, a catedral e a Piazza della Libertà estão entre os principais focos de interesse de burgo amuralhado. O centro histórico está muito bem arrumadinho e sobram pequenos ornamentos que conferem um ar mais aprazível e campestre à cidade, que pode ser totalmente percorrida a pé em apenas um par de horas.

Nada como comer numa das (obviamente turísticas) esplanadas junto às altivas torres, já que poucas vistas há que se lhe comparem. A comida é, naturalmente, a mesma que encontramos em Itália, mas o cenário é deslumbrante.

Por toda a cidade, obras de arte metálicas. Estátuas de todo o surreal género. Máquinas que conferem maior ‘humanidade’ a um lugar singular, difícil de encaixar em ideias pré-concebidas.

Para os amantes de carimbos, podem colorir o passaporte nos Centros de Informações Turísticas. Afinal, estamos na quinta mais pequena nação do planeta.

 

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

20 comments

    1. Rui Batista Post author

      Sim, Marta, uma pena. O ‘segredo’ é ir antes que as massas cheguem, já que dormir em San Marino é para o ‘carote’ 🙂

  1. Josiane Bravo

    Que lugar lindo, confesso que ainda não tinha ouvido falar de San Marino. Me parece ser uma graça de cidade, amo lugares dos quais transmitem uma volta no tempo.

    Abraços

  2. Patricia Pereira

    Muito bonito o texto e o local. Fui em fevereiro, longe das enchentes turísticas mas com o previlegio de um dia de sol. O comércio virado para turista é largamente compensado pelas ruas e ruelas de outros tempos e a paisagem a perder de vista.

    1. Rui Batista Post author

      Patrícia Pereira… senti o mesmo antes da “enchente”. Nada como estar no sítio certo à hora exacta 🙂

  3. Dani Bispo

    Rui, sou super suspeita em falar de San Marino pois moro aqui do lado em Rimini. Acho San Marino encantador. No inverno é incrível apreciar a paisagem encoberta por cima da neblina, parece que estamos nas nuvens. No verão aquele brilho incrível da Pianura Padana…
    Mesmo com toda massa turistica ainda acho um lugar peculiar.
    Dani Bispo
    http://www.abolonhesa.com

    1. Rui Batista Post author

      Dani Bispo, quanto privilégio 🙂 Também gostei de Rimini. Em breve escreverei sobre a cidade. Espreitei o teu site está muito bom. Parabéns! 🙂

    1. Rui Batista Post author

      Carla Mota, pouco mais de um par de horas basta para conhecer o essencial. Para museus e afins, tira um dia para conhecer o país 🙂 bjss

  4. Julia F H Sawaki

    Rui,que lugar lindo. Já tinha ouvido falar de San Marino, mas nunca tinha parado para ler sobre. Agora acaba de entrar para minha lista de destinos que quero visitar.
    Obrigada por compartilhar essa beleza de lugar. Bjs

    1. Rui Batista Post author

      Julia Sawaki, Itália será talvez o mais interessante país da Europa (a par da Roménia… e Portugal lol), pelo que se lá fores… aproveitas e conjugas com San Marino.

  5. Camila Lisbôa

    Tão pequeno e tão cheio de encantos 🙂 Achei lindo e charmoso e nossa… minusculo! É menor que a cidade que eu vivo, que é super pequena (nem vou falar que sou de SP que aí a comparação fica impossível!)

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