Cartagena das Índias: Amor. Paixão. Loucura!

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América do Sul Colômbia

Paixão. Pura! Ao primeiro olhar. Confirmada ao segundo, justificadíssima ao terceiro… CARTAGENA DAS ÍNDIAS!!A sua ‘ciudad vieja’ simboliza todo o encanto de gloriosos e charmosos tempos idos. Depois de Buenos Aires, após Cusco, eis que a América do Sul tem mais um ícone que me arrebata o peito.
Perder-me em elogiosos adjetivos é, ainda assim, diminuir a beleza desta cidade. Da parte antiga, amuralhada, entenda-se. Arquitetura colonial do mais belo que já vi. Deliciosas varandas salpicadas por todos os lados. Plantas a ‘voar’ para a rua. Portas de invulgar criatividade. Batentes de portas fantasiosos. Cores fantásticas. E quentes. Aroma tropical. No ar. E nos caribenhos.

Aqui encontro gente com sorriso do tamanho do Mundo. Excelentes conversadores. Abertos. Cultos. Interessados. E mais do que amigáveis. Aqui, parece-me impossível encontrar gente diferente. Todo o povo colombiano nos ‘amarra’ o coração. Só terei encontrado igual no Irão.

E a comida? Uma das minhas perdições. Então se for em locais típicos e genuínos…

Ao primeiro jantar, apostamos na Casa Socorro. Um dos três restaurantes abertos pela famosa senhora Socorro. Sangue africano corre-lhe nas veias. Tal como muita inspiração na cozinha. Ambiente fantástico. é dia de formatura no ensino superior. Múltiplos sorrisos em direção à nossa mesa. Também aqui, o peixinho é um mimo. Embora, admito, o ‘ceviche’ não se possa comparar ao peruano.
O La Mulata é outro dos restaurantes obrigatórios por estas latitudes. Várias salas. Todas com temáticas diferentes. Apinhadas de gente viva. Com vida. Que vida! O sucesso é tal que se dá ao luxo de apenas servir almoços. Fecha o resto do dia.
Sandra Molina será a intérprete de outra experiência marcante. Será a nossa guia improvisada. Uma simpática, culta e comunicativa jovem universitária ‘couchsurfer’ que se predispôs a mostrar-nos as incontáveis virtudes de Cartagena. E são imensos…
Ao fim da tarde, já depois de nos termos perdido em “raspa’o’s” (gelados artesanais feitos na rua, com maquinaria antiga e a partir de gelo, com sabores vários e leite condensado) vamos comprar vinho e bebemo-lo no alto da muralha. Trata-se do castelo de San Felipe de Barajas e é o maior construído pelos Espanhóis nas américas. Dengosamente sentados enquanto testemunhamos o sol a desfalecer no mar. Neste mar…
Lois, a nossa nova amiga americana de Manhattan de 62 anos, mas saudável ar de quarentona, junta-se-nos ao jantar. Gato Preto (não no meu) é escolha. Mais do que acertada.
Mais uma vez, uma refeição para gravar no baú das melhores memórias em viagem. E no palato. Conversa escorre ao som de espessos sumos naturais. Deixaremos Baco para a próxima refeição. Que perdição!! Já perdemos conta aos sumos naturais que bebemos neste país. Alguns, de frutos cujo nome jamais lembrarei.
Tempo de caminhar. Sempre de cabeça no ar. A apreciar a arquitetura desta cidade única. Espanto a cada esquina, a cada passo ou metro percorrido. Procuramos lugar para dançar…
Sim, Cartagena das Índias também tem um lado B: o mercado central. A lembrar os de Marrocos, mas longe de deixar a mesma saudade. De espalhar o mesmo encanto. Aqui, é preciso andar de olho mais do que aberto e não perder amigos de vista. Mesmo durante o dia. Tínhamos sido aconselhados a desistir da ideia da visita. “Não é propriamente seguro”, avisam-nos. Repetidamente.
O ambiente denso é dissipado posteriormente na zona das praias. Divinas. Natural que integrem a parte mais turística de Cartagena. Animação. Muita. E outra qualidade de vida…
Independentemente dos nossos planos, Cartagena deixa impressão digital no nosso corpo. E marca-nos, definitivamente, a alma. Aqui encontramos magia de sobra. A começar por gente maravilhosa. Como em todo o lado nesta cada vez mais surpreendente e apaixonante Colômbia…

 

PS: Este texto deixa demasiado de fora. Na verdade, apenas mencionei o castelo e ignorei o Palácio da Inquisição, o convento de San Pedro Claver ou o museu naval. E em Cartagena das Índias é imperdível o Café Havana, o Bazurto Social Club ou o La Cevicheria. Passei ao lado dos impactantes grafitis, passei ao lado da vista do La Popa e, penitencio-me, as coloridas senhoras em sorridentes cestos de fruta que conferem graciosidade singular à tela de Cartagena.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

2 comments

  1. Analuiza (Espiando Pelo Mundo)

    Que delícia passear por “sua” Cartagena! Eu não a vi assim. Ela não se mostrou assim para mim, ao contrário, não a amei, não a idolatrei… vi suas ranhuras, as mesmas que vejo em minha cidade natal… Não gostei, antipatizei, quis correr dali. Fugi para o nascer do sol e para as muralhas para tentar encontrar um pouco da Cartagena de meu imaginário. A vi entre brumas e não encontrei Gabo.

    1. Rui Batista Post author

      Analuiza, tenho pena que as nossas experiências tenham sido distintas. Acredito que Cartagena é das cidades mais especiais que conheço. Tive muita sorte com as pessoas com quem me fui cruzando. Espero que um dia tenhas a oportunidade de voltar e que tudo seja diferente, para melhor. Para que, também tu, sintas essa paixão que me invadiu 🙂 bjks e boas viagens…

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