Genghis Khan: o imponente regresso do conquistador!!

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Ásia Mongólia

Do alto do dorso do icónico cavalo, há enorme sensação de poder. Sentimo-nos capazes de conquistar o Mundo. Daqui, as vistas perdem-se nos limites da imaginação. O horizonte não tem fim. Apresenta-se vasto, tal como ampla foi a ambição de Temudjin, o menino nascido perto do Lago Baikal e que um dia, por méritos próprios, se transformaria no Soberano Universal: Genghis Khan.

O herói de um povo na sua eloquente dimensão. A grande figura da história da Mongólia está retratada à dimensão do respeito (e temor) que granjeou em todo o Mundo, sendo, até hoje, um marco nas páginas da nossa universalidade. Sem dúvida, um dos comandantes militares mais bem-sucedidos da história da humanidade.

Na zona de Tsonjin Boldog, a uns 50 quilómetros de Ulanbataar, a capital, ergue-se uma homenagem de números impressionantes: 40 metros de altura e 250 toneladas de puro aço inoxidável. No âmago da maior estátua equestre de que há memória, toda a vida e história do homem que se tornou um mito nos vários cantos do Mundo.

Na prática, uma vista incomparável para as extensas estepes da Mongólia, um país de infindáveis 1.564.100 km 2 e apenas uns três milhões de habitantes, que o tornam numa das nações mais despovoadas da Terra. Dizem-me que Genghis Khan olha o Mundo virado para a sua terra natal, aquela que o rejeitou – família e clã – e à qual voltou para reclamar a liderança, vencendo depois rivais de outros clãs e unindo posteriormente todo o país.

Foi no século XII que o temível guerreiro mongol conquistou metade do Mundo conhecido, chegando a dominar uns 20 milhões de quilómetros quadrados de planeta. Se para os subjugados ficou o registo de brutalidade, destruição e uns 40 milhões de mortos, para os mongóis apenas o pai da nação, o seu maior herói nacional e fundador do seu império, um dos maiores de que há memória. Uniu tribos rivais e colocou os mongóis no mapa e na história.

Com a queda do regime comunista no país, que classificou o herói de “reacionário”, o povo pode voltar a celebrar o seu ídolo, que deu nome ao aeroporto internacional, a universidades, hotéis… produtos artesanais.

Em 2008, as margens do rio Tuul viram nascer esta emblemática obra no local onde, supostamente, encontrou um chicote dourado. Cuja réplica está exposta no complexo. No interior da magnânima estátua de Genghis Khan, há um centro de visitantes, que engloba museu, espaço comercial e restaurante. Pode-se alugar trajes para fotos que inspiram a época e até contemplar uma bota de dimensões… faraónicas.

Obviamente, este empreendimento, privado, só foi possível com o país liberto do jugo comunista, que proibiu rituais e imagens em seu louvor. A república parlamentar de 1990 libertou Ghengis Khan do seu rótulo de reacionário. Projetada pelo escultor D. Erdembileg e o arquiteto J. Enkhjargal, em 2008, a obra teve um custo a rondar os quatro milhões de euros.

Estamos perante uma extravagância? Bom, Jesus Cristo eleva-se sobre o Rio de Janeiro. Lenine continua a olhar sobre S. Petersburgo. E há um quarteto de presidentes norte-americanos esculpidos no monte Rushmore. Se houvesse um concurso para homenagear, em escala colossal, quem foi maior do que a vida, acredito que Ghengis Khan voltaria a ser mítico. Imponente. Aqui, perdidos na imensidão da estepe, a homenagem está à altura do líder que parece, mais uma vez, pronto para uma grande batalha.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

18 comments

  1. Leo Vidal

    Matéria super interessante e bem escrita sobre o líder Genghis Khan. Eu adoro esculturas e estátuas e sem dúvida já incluí em minha lista conhecer essa quando visitar o país. Parabéns!

    1. Rui Batista Post author

      Leo, a Mongólia vale pelo seu todo… mas esta estátua é, realmente, um lugar impressionante para visitar. Abraço!

  2. Juliana Moreti

    Rui querido….. Otimo texto!!!. E que estátua grandiosa!!!!
    O pouco que sei são descrições literàrias sobre a passagem de Marco Polo por là (graças ao Calvino…. ainda não li Il Milione) e um pouco sobre o que Barrico escreveu sobre o caminho da Seda!
    Tentei associar o Genghis com o Kublai e precisei de ajuda da Wikipedia!!!!

    1. Rui Batista Post author

      Caríssima Juliana Moreti, tens de ir lá… ver com os teus próprios olhos. Vais adorar 🙂 beijinho…

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