Casa da Lavand’eira (Baião): genuíno encantamento pelo charme e tradição

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Em Portugal

Em Ancede há uma Casa (na verdade, uma quinta) que é uma referência em Baião e um ícone em todo o Douro: Lavand’eira.

Um nome sinónimo de qualidade e bem-estar no mais genuíno e profundo ambiente natural. Um projeto abraçado por uma charmosa rusticidade que faz sobressair o seu compromisso com a tradição. 

Lavand’eira é um soberbo sonho integrado, que junta o alojamento turístico, a realização de eventos, a produção vinícola do ‘Lavand’eira’ e um contacto ímpar com a natureza. Aqui respira-se o relaxante charme rural de outros tempos…

 

Uma ode aos sentidos…

Desperto ainda madrugada e o vento encanta a folhagem. Nada como despertar com essa doce sinfonia. Abro a janela e sou afagado no rosto ao lusco-fusco matinal. Fecho os olhos. Inspiro fundo. E deixo que a aveludada brisa me guie por uma ‘rota de odores’, extraídos de fragâncias de flores, plantas aromáticas e árvores de fruto.

Perder-me na Lavand’eira é inebriar-se em tantos mundos quantos os que encerram as rosas, hortênsias, sardinheiras, petúnias, camélias, alegrias ou amores perfeitos.

Amor perfeito, precisamente o que sentimos quando nos cruzamos com pessegueiros, ameixoeiras, limoeiros, laranjeiras e limeiras. Ou nos momentos em que o nosso olfato nos prende às aromáticas hortelã, salsa, coentro, loureiro ou alecrim. Tudo aos molhos, com os meus olhos já perdidos no jasmim, pinheiros, cedros, oliveiras…

Na Lavand’eira encontramos tudo isto. E um envolvente cheiro a terra quente após uma chuva que mantém todo o cenário em apetitosos verdes. Aqui, somos natureza.

Poderia falar do bolo acabado de fazer na tradicional cozinha da casa, mas não me limitar ao olfato e decidir explorar todos os outros sentidos não vou parar de escrever. A Ladand’eira estimula todas as nossas sensações. E nada como visitá-la para nos enamorarmos pelos seus múltiplos encantos…

 

Casas senhorial ou natura?

Na propriedade de uns 15 hectares destaca-se um edifício do século XVIII, mas também podemos optar por ficar numa das envolventes casas natura. De uma forma ou outra, podemos usufruir dos serviços da casa-mãe. E dos mimos da D. Ana, que, aos seus 57 anos, já há mais de 40 que espalha a bondade do seu sorriso.

“A primeira vez que cá vim tinha 15 anos e foi para trabalhar nas vindimas. Fui crescendo e ficando com os vários donos da quinta. Gosto imenso de aqui estar. Os atuais proprietários e toda a equipa são muito boa gente. O ambiente é ótimo. Sinto que faço parte da mobília. Que tenho duas famílias”, diz-me D. Ana, que personifica a avó do nosso imaginário.

Vítor, a esposa Paula e a sogra Maria dos Anjos ‘arriscaram’ uma primeira visita em 2015. Rumaram a norte “pelas fotos”, confessam. Voltaram em 2016 e cá estão novamente. “Não há sítio igual. É a quinta e, sobretudo, as pessoas. Sentimo-nos na nossa própria casa. É um sossego. Aqui nada está fechado. E sobram coisas valiosas. É uma confiança libertadora”, elogiam.

A Lavand’eira está centrada na casa senhorial, que começou a ser construída ainda no século XVIII. Indubitavelmente, aqui respira-se história e tradição. Não apenas pela nobre arquitetura, mas por toda a decoração, na atmosfera mais tranquila e acolhedora. Embeiço-me por quadros, rádios antigos, fotografias, porcelana, livros, máquinas de costura… estou cercado de puro ‘vintage’.

São oito os amplos quartos à disposição, com decoração fiel ao lema. Salas de estar e jantar para relaxarmos e disfrutarmos da tradição, uma delas maior e destinada ao convívio. Os mesmos moldes da cozinha rústica na qual os pequenos-almoços são tomados em família. Nos dias mais frios, uma antiga salamandra proporciona aconchego único…

Saindo por uma da portas, uma varanda mais propícia para saborear as noites quentes ou a sombra para um jardim romântico.

As casas natura estão em outra zona da extensa e multifacetada quinta. Aqui confundimo-nos com a natureza bruta. São antigas habitações e moinhos recentemente recuperados. Rústicos no seu granito exterior, confortáveis com os interiores em madeira. Com vistas deslumbrantes para o rio Ovil, para os distantes horizontes das serras, para os jardins ou as vinhas da Lavand’eira.

 
Eventos de excelência

A Casa da Lavand’eira é o lugar ideal para todo o tipo de eventos (até uns 300 convidados). Isto, claro está, se apreciarmos cenários maravilhosos, gastronomia (regional ou contemporânea) de superior qualidade, um grande salão com todas as infraestruturas adequadas e parcerias com experientes profissionais das mais diversificadas áreas. Tudo para tornar um evento de sonho verdadeiramente eterno. Perfeito para superar as nossas melhores expectativas. Não esquecer o cenário: tela pincelada por tranquilos verdes, em paisagens dignas de emoldurar. Perfumados jardins, bela piscina, extensas vinhas…

Já falei do singular museu de clássicos? Do romântico coche, aos primeiros carros a motor, passando por clássicos das principais marcas atuais. Sem esquecer os sidecar, lambretas ou vespas Piaggio. Um espólio apaixonante para os amantes das duas ou quatro rodas…

A capela da Casa da Lavand’eira nasceu em 1927 e encerra elevado valor artístico: é revestida a azulejos “Viúva Lamego”, possui um distinto altar de madeira de castanho, em Talha Portuguesa e um bonito vitral da autoria do portuense Plácido Antunes.

Centenas de oliveiras foram plantadas e está no ar a criação de um centro interpretativo do azeite… agaurdo.

Estamos em região demarcada dos vinhos verdes, na transição para o Douro. E é uma forte vocação empreendedora que levou à criação do vinho ‘Lavand’eira’, com vinhas das castas brancas Avesso e Arinto. Uma equipa de enólogos dedica-se a fazer a ‘diferença’ que faça deste vinho também uma referência. Asseguro-vos, também pela experiência, as suas excelentes características.

“Todos os anos levo umas quantas garrafas”, admite Vítor, exigente apreciador. Já as tem reservadas. Podemos ‘inspecionar’ a adega e conhecer o processo de produção da vinificação.

“Se as uvas falassem, certamente teriam muito para contar. Das pessoas que por aqui passaram, as histórias que ouviram e do carinho com que tudo aqui é tratado”, recorda-me Alexandra Leite, que tem construído a Lavand’eira, juntamente com o marido. O vinho é, sem dúvida, um dos fortes vetores deste conceito, a par do turismo rural e dos eventos.

E não olvidar o vasto património arquitetónico e cultural espalhado pelos vários pontos cardeais. Sempre a devolver-nos a tempos mais serenos. Lagares, azenhas, espigueiros, eiras e beirais, manjedouras, charretes, coches e carros de bois, lavadouros, fornos a lenha, antiguidades, utensílios agrícolas, pedras e penedos seculares, caminhos românicos…

“Tudo para que o tempo não leve as memórias. A nossa missão é também a de fazer com que as tradições sejam recordadas e os costumes não sejam perdidos”, resume Alexandra.

Todo um Mundo natural na Lavand’eira

 

Sou um privilegiado. Tenho toda a piscina para mim. A excelente exposição solar deixa a água com sabor a Caribe. Estou envolvido por árvores centenárias, jardins sem idade e com vista para o vale do Douro. Relaxe puro. Total. Pouso o livro e deixo-me estar. Nos intervalos de sucessivos mergulhos… 

Nas horas de maior calor, dedico-me a explorar o Rio Ovil, que delimita parte da Lavand’eira. Tem a maior percentagem de área verde e floresta em todo o distrito do Porto. O seu curso é pontuado por deliciosas cascatas de águas límpidas, translúcidas. Impossível não me deter. Posso tomar um refrescante banho nas suas águas cristalinas, mas prefiro apenas “ficar”. A apreciar a grande diversidade de fauna e flora. Aqui posso encontrar a truta e o escalo, salamandras, a poupa e o melro. Com sorte, posso deparar-me com castores. Estou num percurso marcado e sinalizando respeitando as normas internacionais. E continuo dentro da Lavand’eira, onde posso ainda disfrutar do pomar e horta biológica, do olival, da vinha e do laranjal… ou de animais domésticos como ovelhas e carneiros, porcos e galinhas. Se for mais atento, contemplo patos e coelhos bravos, esquilos, borboletas e libelinhas, rouxinóis, gaios e andorinhas no seu habitat selvagem.

Com tanta natura soberba para apreciar, esqueço-me, por completo, da sala com mesa de bilhar, matraquilhos e outros entretenimentos.
Aqui, tudo é cuidado. “Nada é arrancado da terra sem ser substituído por algo que a valorize ainda mais”, assegura-me Alexandra. Foi assim que eucaliptos deram lugar a oliveiras e pinheiros mansos, quando a Lavand’eira expandiu horizontes e fronteiras.

 

As Pessoas

Não conheço empreendedorismo de sucesso sem pessoas. As competentes. As visionárias. As dedicadas. E as que lhe dão alma. A Lanvand’eira tem tudo isso. Nas doses adequadas.

“Sinto-me como se tivesse vindo ver a minha avó. Estou em casa. O edifício senhorial é fantástico. Tudo é muito especial, cuidado ao ínfimo pormenor. E as pessoas são a alma de tudo. O trabalho exige-me percorrer o Mundo… e nunca me senti tão bem acolhida e em casa como aqui. Certamente voltarei”, diz-me a alemã Julia Tscheplanski. A jovem percorre Portugal com a sua amiga Caroline Kischelewski, que prefere destacar o quarto “único” e “os mimos da D. Ana que incluem bolo, chá e um sorriso afável como poucos, permitindo-nos comunicar mesmo sem falarmos uma única palavra de uma mesma língua”.

Tenho a sorte de perceber bom português. E de saber além do óbvio sobre os seres humanos. E aqui sou acolhido por vários dos que fazem de Portugal um país tão único, amado e muito apreciado por esse globo.

“A nossa missão é preservar a historia. Reviver e manter as tradições. Os costumes e gastronomia. Sem perder de vista a sua essência. Queremos mantê-las passa-las aos outros. Quem nos visita fica mais rico. Aprendeu a fazer algo. Participou nas vindimas, levou o pão ao forno, ajudou a plantar ou a colher na horta biológica. Apanhou morangos pela manhã para o pequeno-almoço. Queremos que os nossos hóspedes se sintam parte do projeto, que o integrem e façam parte dele quando cá estão”, sublinha Alexandra Leite.

Aqui mergulhamos no genuíno, envolvemo-nos na terra e tradições desta magnífica região, num conceito que preserva a biodiversidade, as histórias e as memórias.

A minha experiência na Lavand’eira não poderia ter sido mais agradável, estimulante e enriquecedora. Ganhou profundas raízes nos meus melhores afetos.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

40 comments

    1. Rui Batista Post author

      Amanda, acredite, a Casa da Lavand’eira é que é verdadeiramente inspiradora… beijinho e boas viagens…

  1. Elisabete

    Lugar com uma magia indescritível, estou a pensar passar aí um fim de semana.Parabéns pelo texto.

  2. paula marques

    Hummmm fiquei cheia de curiosidade…a maneira como descreves tudo faz nos estar ali do teu lado por momentos

    1. Rui Batista Post author

      Cara Paula Marques, desafio-a a confirmar com os seus próprios olhos a veracidade das palavras 🙂 Beijinho e boas viagens…

  3. Andreia Vieira

    Gosto especialmente de sítios que se preocupam em preservar memórias e tradições. Mais uma boa dica de um sítio a visitar, Rui. Obrigada! 🙂

    1. Rui Batista Post author

      Andreia Vieira, somos dois, então 🙂 O Portugal das memórias e tradições é único… é por aí que o nosso turismo (de qualidade) deve avançar…

  4. klecia

    Que lindo o lugar e que encantador o seu relato! Dá vontade de partir direto pra lá! Eu bem que podia usar uns dias na Casa da Lavand’eira pra um retiro de livros, delícias e poesia =D

    1. Rui Batista Post author

      Klecia, esse é mesmo o programa ideal 🙂 É para isso que voltarei em breve… beijinho e boas viagens…

  5. Gisele Almeida

    Sou apaixonada pelas quintas portugueas. Amo as histórias, as pessoas que cuidam delas com tanto carinho. Adorei o seu post poético e adoraria visitar a Lavand’eira. Que saudade de Portugal!

    1. Rui Batista Post author

      Gisele, quando voltares a Portugal… tens aqui mais um (excelente) motivo para seres feliz 🙂

  6. Tatiana

    Fiquei encantada com a sua matérias.
    O Douro nos reserva tantaa surpresas.
    Eu estive ai em 2015, e fiquei apenas de passagem.
    Quero uma dia poder voltar.

    1. Rui Batista Post author

      Obrigado, Tatiana 🙂 Quando tiveres mais saudades do Douro, sabes onde ir… 😉 beijinho e boas viagens…

  7. Ana Campeão

    Também eu fiquei encantada. Tradição, paisagem, gastronomia…o melhor de todos os mundos:)

  8. Francisco Piazenski

    Que lindo relato, Rui, por sinal mais uma vez. Este lugar transmite calmaria na tempestade cotidiana. Parabéns pela ótima dica!

  9. Amilton

    Adoro flores e história, esse lugar parece perfeito para ter uma experiência autêntica. Ótimo relato!

  10. Deisy Rodrigues

    Que lindo, não tinha ouvido falar, mas me apaixonei com seu post, um lugar cheio de história e encanto, adorei.

    1. Rui Batista Post author

      Estamos “juntos”, Carla. Partilho isso mesmo. E a vontade de conhecer nossos múltiplos encantos está a ganhar cada vez mais peso nas minhas prioridades 🙂 bjksss…

  11. Martinha

    Que Quinta mais linda <3 Quando estive no Douro ano passado visitei algumas quintas e me apaixonei. Agora quero conhecer a Casa da Lavand’eira. As fotos estão puro charme! =)

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