“Porque à Índia não se chega, meu caro, na Índia caminha-se”

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Poesia do Mundo

Um excerto de uma India sorvida pelo escritor português Gonçalo M. Tavares.

“O rio Ganges é a mais importante biblioteca da cidade e o mais importante arquivo.
Não há verdade fora do rio, nem há mentira de qualidade, ficção ou mitologia, exterior às suas águas sujas. Mas as águas não são sujas, realmente tal expressão é um erro – corrige Anish. São águas complexas, o que é diferente.
Aqui a água não é um elemento de visita ao mundo dos homens, são os homens que estão de visita à água – e na Índia toda a gente o sabe.

(…) O que não é atraído pela água não é importante. A água é sagrada. Depois de mergulharem no rio as pessoas cantam mais, há quem saia da água com uma voz milagrosa e não há dançarina que na véspera de actuar não vá copiar do rio certos movimentos. É o único país onde a água embebeda mais que o vinho e seduz tanto como as mulheres jovens.”

Uma Viagem à Índia (canto VII) | Gonçalo M. Tavares

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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