As Oito Montanhas (Dolomiti, Itália)

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Poesia do Mundo

Talvez fosse verdade, como afirmava a minha mãe, que cada um de nós tem a sua cota predilecta na montanha, uma paisagem que lhe agrada mais e onde se sente bem.

A sua era o bosque dos 1500 metros, de abetos e larícios, à sombra dos quais crescem o mirtilo, o zimbro e o rodondendro e se escondem os cabritos-monteses. Eu era mais atraído pela montanha que vem a seguir: pradaria alpina, torrentes, turfeiras, ervas de altitude, animais no pasto. Mais acima a vegetação desaparece, a neve cobre tudo até ao começo do verão e a cor prevalecente é o cinzento da rocha, com veios de quartzo e tendo incrustado o amarelo dos líquenes. Ali começava o mundo do meu pai. Depois de três horas de caminho, os prados e os bosques davam lugar aos pedregais, aos pequenos lagos ocultos nas bacias glaciares, aos canais abetos pelas avalanches, às nascentes de água gelada. A montanha transformava-se num lugar mais áspero, inóspito e puro: lá em cima ele ficava feliz. Rejuvenescia, talvez regressando a outras montanhas e a outros tempos. Mesmo o seu passo parecia ficar mais leve e reencontrar uma agilidade perdida.

Paolo Cognetti, As Oito Montanhas

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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