Nasir al-Mulk, fé em tons arco-íris

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Irão Médio Oriente

Nasir al-Mulk, quando a religião se veste de todas as cores…

Ao romper do dia, arte e fé unem-se numa experiência memorável. Na mesquita Nasir al-Mulk o arco-íris nasce todos os dias. Em projeções progressivas, mutantes. Proporcionam momentos quase ‘sagrados’, até para os não crentes. Como eu.

Quando se fala de arquitetura histórica, quantas vezes pensamos em cores vivas, vibrantes? Em efeitos de cor que trespassam um lugar que, já de si, se destaca pelos arcos, tapetes, azulejos, painéis, inscrições…
À semelhança de outras mesquitas – e catedrais – os vitrais são coloridos e a luz projetada cria um jogo nas paredes e chão. Com destaque para as primeiras horas da manhã. Parece que todas as cores do planeta se unem numa dança ao ritmo do sol a elevar-se no céu.
Esta obra do final do século XIX possui muitos elementos da arquitetura islâmica tradicional como arcos e uma fonte central para as abluções, mas estes vitrais não são propriamente do mais comum. Nestas exceções, destaco a impressionante e imponente Mesquita Azul, em Istambul.
Nasir al-Mulk é também conhecida como ‘Mesquita Rosa’, sem dúvida uma injustiça para as outras tonalidades.

Estou de regresso. 2015 foi a última vez que cá tinha estado. A diferença? Um (verdadeiro) excesso de turismo. E um desenfreado desejo por uma foto a imortalizar o momento neste lugar tão especial. No fundo, o desrespeito pelo lugar e pelos outros. Um atropelo que, por vezes, gera momentâneas situações de tensão.

Com tempo, com paciência, todos vão conseguindo o que desejam. Cá fora, mas ainda dentro do complexo, há muito mais por onde nos embeiçarmos. Mais fotogénica não podia ser, Nasir al-Mulk.

Saindo do complexo e virando à esquerda, há um senhor que nos retém. Prende e cativa toda a nossa atenção. História para contar à parte deste registo.
Estamos a despedir-nos de Shiraz. E este fascinante ‘segredo’ colorido torna a cidade numa das mais interessantes do país. Não pela sua beleza global, mas pela diversidade dos seus vários pontos estimulantes…
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

24 comments

    1. Rui Batista Post author

      Christian, o Mundo é IMENSOOOOO… pelo que convém irmos atrás dos nossos sonhos e curiosidade 🙂 Abraço!!

  1. Andrea

    Que linda a mesquita, realmente o conjunto de cores lembra um arco-íris. Pena muitos não aproveitarem a calma e a beleza dos lugares para além de fotografarem darem aquela pausa para admirar com tranquilidade.

    1. Rui Batista Post author

      Andrea, hoje em dia parece que é mais importante tirar selfies nos lugares do que realmente apreciar esses sítios mágicos. Enfim… temos o Mundo ligeriamente ao contrário 🙂

    1. Rui Batista Post author

      Alessandra, um dos lugares mais especiais do fantástico Irão… que tem IMENSOS pontos de interesse. Aconselho a visita 🙂

  2. Ruthia Portelinha

    Não tenho muita paciência para competir por uma foto, mas há lugares que merecem vagares de budista. Nasir al-Mulk parece uma delas, esses vitrais têm efeitos mágicos. E dizes que encontraste a cidade “apinhada” de turistas? Mas é assim tão fácil obter visto para o Irão?

    1. Rui Batista Post author

      Ruthia, há demasiados mitos (maus) sobre o Irão… O visto? Sem problemas… burocracias normais. E, sim, este é um dos muitos lugares no país que merece todos os vagares do Mundo… É preciso tempo para saborearmos convenientemente as coisas, os lugares…

    1. Rui Batista Post author

      Sim, Gabriela, este ambiente transporta-nos mesmo para outra dimensão… Gostava era de ter lá menos visitantes, como há três anos. Difícil abstrair-mo-nos de tudo o resto e ficarmos focados somente nesta maravilha arquitectónica.

  3. Tharsila Fernanda Santos Costa

    Eu amo a arquitetura desses lugares. Fico babando com o colorido, os vitrais e a riqueza de detalhes. Realmente o visutal desse lugar é impressionante.

    1. Rui Batista Post author

      Sim, Tharsila, um lugar bem especial. O Irão tem imensas belas surpresas arquitectónicas…

  4. Carla Mota

    O Irão mudou tanto. E para quem vai aí frequentemente não engana. Ainda me lembro de ter essa mesquita só para mim. Espero que não mude o suficiente para o estragar. Mas confesso que tenho medo.

    1. Rui Batista Post author

      Pois é, Carla. Há três anos foi o mesmo… era só para nós. Desta vez… Bom, desta vez, era tipo um mar de gente, tudo doido para tirar a foto ideal… tentanto inúmeras vezes esse registo. Enfim…

  5. Ana carolina

    Gostei muito de saber mais sobre o Azir Al-Mulk, pois não conhecia muito a respeito. Esses vitrais cheios de detalhes são lindos

    1. Rui Batista Post author

      Estes vitrais são incríveis e quanto a luz os trespassa… Ai, Ana Carolina… é lindoooo!! 🙂

  6. Marcela

    Adorei o texto! Mesquitas realmente nos transmitem todas essas sensações. Obrigada por compartilhar suas palavras

  7. Michele da Costa

    Que interessante deve ser Shiraz! Quero ver os próximos posts, com detalhes e outras belas imagens.

    1. Rui Batista Post author

      A cidade é super-interessante, com 10001 lugares para visitar. Nem sei por onde começar 🙂

  8. Daniela Cascardo

    Tenho muita vontade de conhecer. Fico encantada com a força da fé e as cores desse lugar. Amei o post! Obrigada por compartilhar

    1. Rui Batista Post author

      Daniela, não sou religioso, mas a magia deste lugar ‘quase’ nos converte a algo maior… 🙂

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