Minsk2019: Menos dinheiro, mais alma do que em Baku2015

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Bielorrússia

Bielorrússia mostrou ser um belo tesouro  a explorar.

A Bielorrússia não apresentou os mesmos argumentos financeiros do Azerbaijão para uma opulenta cerimónia de abertura, mas venceu pela sua aposta na alma e história do seu povo, maravilhando o planeta com a prata da casa.
Sem estrelas internacionais e cobrar valores proibitivos para ‘aparecer’ – em Baku, Lady Gaga embolsou quase dois milhões para cantar ‘imagine’ de John Lennon em atuação de cinco minutos -, a organização de Minsk2019 esmerou-se e presenteou sexta-feira o mundo com um espetáculo de elevada qualidade artística, e com a pompa que o evento merece.
As estrelas foram poetas, sobretudo estes e as suas célebres palavras, reis, desportistas, músicos, o quotidiano e o povo que tem moldado a história deste país, dos mais fechados e misteriosos com quotidiano dos menos conhecidos da Europa.
Ao vivo, foram 22.000 os privilegiados a assistir, mas as imagens deste espetáculo multimédia de 2:42 horas foram transmitidas em 148 países, numa mensagem que chegou a muitos milhões, sem o ‘show-off’ de Baku, mas com mais alma.
Um palco gigante redondo e com oito mega-projetores foi o centro de boa parte do espetáculo com muita dança, música e cor, que fez pulsar os corações dos bielorrussos, munidos de uma pulseira que dava luz sempre que a mão batia no peito, em várias manifestações de amor à pátria.
E foi de sentimentos de união e partilha que António Guterres, presidente das Nações Unidas (ONU), falou em curto vídeo exibido, no qual destacou o desporto como um agente privilegiado para o “respeito, paz e amizade” entre os povos.
Apelou à consideração pela diferença entre as pessoas, formulou o desejo de “não deixar ninguém para trás” e assumiu que o desporto “pode ser um meio para a paz e próspero futuro que todos desejamos”.
De Portugal, era a bandeira que desfilou no 38.º lugar, empunhada por Marcos Freitas, jogador de ténis de mesa, que há quatro anos conquistou a medalha de ouro por equipas, juntamente com Tiago Apolónia e João Geraldo.
São 4.000 os atletas a competir em Minsk2019, menos dois mil do que em Baku2015, que construiu de raiz um estádio olímpico para 70.000 pessoas – o do Dínamo Minsk foi renovado e tem menos de um terço da capacidade – que vão competir em 15 desportos e 23 disciplinas, em 200 eventos com direito da medalha, ‘supervisionados’ pelo entusiasmo de 8.000 voluntários.
O controverso presidente do país, Alexander Lukashenko, em funções desde 1994, falou de “vitórias brilhantes” e prometeu que o mundo se vai encantar com a “terra hospitaleira” que dirige.
Elogiou o caráter dos seus conterrâneos, falou de amizade, respeito, tolerância e prometeu “dar tudo isso” a quem de alguma forma está em Minsk pelos II Jogos Europeus, “um evento que une nações”.
A tocha, que a 03 de maio partiu de Roma, andou pela mão de 450 pessoas ao longo de 7.700 quilómetros e sexta-feira alimentou a chama, com o derradeiro testemunho a ser protagonizado por sete antigos campeões olímpicos do país, ‘disparando’ foguetes ao mesmo tempo até a pira, igual à dos Jogos de Moscovo1980, inflamar em quentes tons de laranja.
No fim, missão mais do que cumprida pelos 1.300 que trabalharam na organização da cerimónia de abertura, que contou com mais de 500 artistas (usaram mais de 1200 trajes) e mais de 700 voluntários. 
Com 9,5 milhões de habitantes, dois dos quais na capital Minsk, que ombreia com muitas cidades da Europa em termos de modernidade e imponência dos seus edifícios, a Bielorrússia levantou o véu da sua intimidade, despertando o interesse por uma nação com muito por descobrir.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

30 comments

    1. Rui Batista Post author

      Gabriela, haja criatividade e ousadia. Confesso que estou muito, muito bem impressionado com Minsk e os bielorrussos…

  1. Andrea

    Pelas fotos o evento foi lindíssimo. Sempre achei que os principais astros de jogos esportivos são os atletas, economias assim servem aplicar ainda mais nos jovens que estão iniciando.

    1. Rui Batista Post author

      Nem mais, Andrea. E a Bielorrússia aposta imenso no desporto. Infelizmente, nos últimos anos vários atletas, com a pressão de resultados, têm sido apanhados com doping…

    1. Rui Batista Post author

      Fernanda, a criatividade e a vontade de fazer acontecer… têm uma força imensa 🙂

    1. Rui Batista Post author

      Paula, foi mesmo muito interessante… adorei o show. Vi, ao vivo, a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim… não esteve ao mesmo nível, nem de perto, masssss… foi muito bom.

    1. Rui Batista Post author

      Edson, foi um país realista… brilhou sem dar passos maiores do que as pernas 🙂

  2. Paula Abud

    Uma pena nós não termos acesso a um evento tão lindo como esse, Rui! Consegui visualizar no seu relato toda a grandiosidade e o amor ao qual o evento representa, tanto trabalho, tantas pessoas e com certeza o objetivo de ser memorável foi alcançado, parabéns por nos contar um pouco mais sobre os Jogos Europeus de Minsk! Abraços.

    1. Rui Batista Post author

      Paula, aqui nota-se o esforço – e orgulho – de toda uma nação… as pessoas estão super-orgulhosas e cheias de vontade de comunicar. Encontrei uma Bielorrússia bem diferente, para melhor, do que imaginava…

  3. Luciana Torezan

    Amei seu relato sobre o Minsk 2019… Quão emocionante deve ter sido esse evento. Fizeram mais do que certo, investiram menos dinheiro mas se doaram, de corpo e alma para um espetáculo lindo. Feliz em saber mais sobre esse povo e com muita vontade de conhecer essas terras. Obrigada por compartilhar conosco

    1. Rui Batista Post author

      OBrigado, Luciana. Está a ser, realmente, uma experiência fantástica… agora estou curioso por poder ir conhecer um pouco mais do país…

    1. Rui Batista Post author

      É isso mesmo, Luciana. Não há muitos eventos no mundo com tanta partilha, troca, solidariedade, tolerância… excelente para criar belas pontes ao entendimento e respeito.

  4. Marcela

    Eu adorei conhecer Minsk e o resto da Bielorrússia que tive oportunidade. Um belo país com pessoas muito queridas!

    1. Rui Batista Post author

      Marcela, estou a achar o mesmo… muito bem impressionado com tudo e todos os que tenho encontrado 🙂

  5. Ruthia Portelinha

    Passou-me tudo ao lado, excepto algumas das tuas partilhas no Facebook e Instagram. Qualidade em vez de quantidade parece-me uma estratégia inteligente. Vou espreitar agora o vídeo da abertura. Um dia levo o meu filho a um evento desses

    1. Rui Batista Post author

      Ruthia, era um belo legado que lhe podias deixar… 2023, será em Cracóvia 🙂

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