Filipinas: Balinsasayao e Danao, os incríveis lagos gémeos de montanha

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Há (mais) uma ilha nas Filipinas que nos ‘inquieta’ com os seus encantos naturais…

Quanto maior o sacrifício, mais estimulante o prazer. Aqui, no alto, apreciando serenamente a formosura dos gémeos lagos de Balinsasayao e Danao, nas Filipinas, a pele arrepiada confirma-me a justiça da teoria.

A rudeza da subida (13,5 quilómetros em sinuosas linhas na montanha em via que alguns chamam… estrada) diminui a números residuais os visitantes. Ao fim da manhã, aquando do registo obrigatório na ‘entrada’, apenas nove nomes constam da lista.

Enormes espelhos de água cobrem as duas crateras. Densa vegetação. E céu. Combinação simples. E mais do que perfeita.

É de jeepney que chegamos ao início da subida, onde motards ‘profissionais’ (nada mais fazem na vida, além de transportar os interessados ao topo da montanha) começam por nos pedir 10 vezes (por trajeto) o valor que tínhamos pago pelos 30 quilómetros anteriores. Negociação difícil.

“Não há problema. Com motos alugadas, vamos pelos nossos próprios meios. Vemo-nos amanhã”, despeço-me, sorridente, após quinze minutos de infrutíferas conversas.

Até no bluff estes motards são bons. Mas não o suficientemente intransigentes para nos deixar partir definitivamente. Como estávamos determinados a fazer.

350 metros depois, somos abordados por uma dupla. Tentam convencer-nos da justiça do preço. Demonstro-lhes o contrário. O compromisso fica selado por menos de metade do inicialmente proposto. Todos satisfeitos. Vamos três numa mota e dois noutra.

A paisagem na ascensão vai-nos provando o acerto do acordo e até já me faz pensar se não regressarei novamente no dia seguinte. É simplesmente deslumbrante. As montanhas a desfalecer até ao mar. Parecem deslizar suavemente, derretidas em quentes verdes bem vivos.

As aldeias que vamos encontrando são pobres, porém com alma. A gente sorri. Retribuímos com acenos. O pouco turismo que aqui passa não se fixa e estes pequenos povoados ainda não beneficiam economicamente do mesmo. Também é verdade que não ficam sujeitos a perversos processos de aculturação. Há animais a dormir no meio da via. Imitados por uns quantos humanos bêbados, com sentidos perdidos. A noite terá sido de arromba, como todas. Tudo sereno…

“A minha casa é ali. Esta é a minha mãe e aquela que segura o meu filho é a minha esposa”, diz-nos Esteban, o motard da moto que me transporta e que agora devolve a marmita do almoço.

Búfalos ‘domésticos’ descansam. Pacatamente submersos em lamacentos pântanos. Refrescam-se enquanto afastam os insetos, que teimam em não os largar.

A área de piquenique de Balinsasayao é onde compramos o ingresso e nos registamos. Não temos tempo para a gozar. Fica a promessa de o fazermos uma outra vez. Está a 900 metros do posto de controle. Uma ligação com tal grau de inclinação que ‘mata’ as mais audazes intenções dos veículos de duas rodas. Os de quatro, poucos os incautos que se atrevem a subir.

Tornear o matreiro trilho de pedras soltas e escorregadias à volta do lago, em verdadeiro carrossel de maravilhas naturais, exige cuidados acrescidos. Enfrentar a missão de chinelos de dedo é tão irresponsável quanto estúpido. Sinto-me perdoado por desconhecer a realidade que me esperava. E as várias mazelas serem, vá lá, suportáveis…

Almoçamos sob abençoada proteção de palhota com vista privilegiada para o lago. Vontade de nadar. Ou de pagaiar. Será fácil tomar uma decisão. O lago é todo nosso.

Contornamos metade da cratera e subimos a um posto de observação. Não conseguimos vislumbrar os gémeos na mesma imagem, contudo deleitamo-nos com ambos.

Ainda exploramos caminho denso, sob manhosa vegetação. Entre outras surpresas, um caranguejo que se refugia no âmago de árvore partida e que nos vem pedir explicações. Atendendo à diferença de tamanho – e de número, para três humanos -, elogio-lhe o moral.

No segundo lago, Fernanda não resiste. Faz de tronco solto a sua jangada e salta para o lago. Pior é tirá-la de lá. A logística não é fácil. Eu e Carlos ficamos a contemplar os charmosos pedidos de auxílio da nossa boa amiga até decidirmos, de facto, ajudar.

Após ofegante e cuidado regresso, de escorregadelas e desequilíbrios sem consequências de maior, descida da montanha. Os nossos amigos motards esperam-nos, pois o pagamento é mesmo só no fim.

A mesma beleza natural, em perspetiva distinta. Um percurso que, em termos de gratificação dos sentidos, em nada fica a dever aos gémeos lagos. Em nada MESMO…

O Lago Balinsasayao é um dos três lagos de crateras que se elevam 1.000 pés acima do nível do mar, dentro do Parque Natural dos Lagos de Balinsasayao, uma área protegida de 8.016 hectares perto de Dumaguete, na província de Negros Oriental, Filipinas.

Alimento o sonho de que este paraíso continua protegido e respeitado…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

17 comments

  1. Cintia Grininger

    Que lugar é esse???? Lindo demais. E lindo o seu relato, é possível viajar junto com você e suas palavras. Também espero que esse paraíso permaneça conservado.

    1. Rui Batista Post author

      Cintia, acredita que é dos paraísos que gostamos de ver preservados. E as Filipinas têm muitos assim…

    1. Rui Batista Post author

      Ana, é um destino que aconselho vivamente: tem TUDO para sermos felizes, passarmos excelentes momentos.

    1. Rui Batista Post author

      Surian, é esperar pela melhor altura e… partir! Lá a vida é bem acessível, para os padrões económicos ocidentais.

  2. Marcela

    Lindíssimo o lugar e também suas palavras! Filipinas está na lista para conhecer em breve, os lagos gêmeos não ficarão de fora!

  3. Itamar Japa

    Que maravilha de lugar! Seguramente valeu a pena a pechincha e mais ainda conhecer o lugar. Obrgado por compartilhar tamanha beleza, que talvez eu nunca na vida soubesse que existe.

    Demais!

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