Mogadouro: Uma pérola no ‘Destino Natural’ que é Trás-os-Montes

Mogadouro: Uma pérola no ‘Destino Natural’ que é Trás-os-Montes

O Rio Douro a passar em Mogadouro...

Do céu, voando no aparentemente frágil Cessna, confirmo todas as emoções que sinto quando tinha os pés bem assentes na terra: Mogadouro é, de facto, uma terra especial. Um destino que merece destaque dentro de um outro mais amplo, entre os meus favoritos em Portugal, o Maravilhoso Reino de Trás-os-Montes, nas palavras do imortal Miguel Torga.

Antes de se fazer à pista, confesso que me questiono se o aparelho consegue MESMO levantar voo. Simplesmente, imagino-o impotente para resistir a qualquer rajada de vento. Quando o nariz aponta para o horizonte, já não há muito a fazer: é inspirar, expirar ainda mais profundo e deixarmo-nos levar.

Acelerar, tremer por todos os poros, levantar o ‘nariz’ e descolamos… O chão começa a afastar-se e o vivo xadrez transmontano começa, enfim, a desenhar-se sob o meu ávido olhar.  

Que fotografia. Que imagens… Que sensações…  

Como é fantástica esta liberdade. Memorável a possibilidade de sobrevoarmos um mosaico paisagístico único, que ganha beleza adicional quando nos aproximamos dos lagos do Sabor. Um plano de água formidável, montanhas a aconchegá-lo e algumas – poucas – linhas traçadas na tela, as escassas vias terrestres destas paragens mais remotas. Ahhh… E, nem por um instante, qualquer sinal de insegurança.

O aeródromo de Mogadouro é um excelente ponto de partida para passeios de avioneta. Nesta região, também se pode voar de Bragança. Mirandela, Vila Real e Alijó têm aeródromo, porém não sei se estão abertos ao turismo.

Do céu à terra, sempre em êxtase

Mogadouro impressiona pelo ar, por terra e na água. Quem nunca fez um passeio de barco ao longo do belíssimo rio Douro desconhece, seguramente, o que anda a perder.

Navegar, serenamente, no Douro Internacional é uma das melhores experiências que podemos ter neste Portugal. Sempre acompanhados por grifos, abutres do Egito ou águias, que lá no alto parecem certificar-se de que não viemos para ficar no seu território selvagem. De coração cheio, partirei. Contrariado, faço-lhes a vontade.

As encostas íngremes que por vezes estreitam o percurso são devidamente apreciadas quando deitado na embarcação, contemplando as aves e a rocha das imponentes arribas que ladeiam o enquadramento. Numa câmara lenta em que só se ouve o barco a deslizar… Há quem lhe chame o ‘Grand Canyon’ da Europa.

O Parque Natural do Douro Internacional é fronteira natural com Espanha e alberga vida selvagem pura que pode ser apreciada, igualmente, de vários miradouros. São bastantes – nem todos de fácil acesso – e todos com vistas imponentes. Que todos percebamos o supremo respeito que devemos ter pela natureza, não a danificando nem intervindo no seu curso. E que saibamos apreciar, verdadeiramente, esta riqueza, sem foco exclusivo na foto e nas redes, que estão a vulgarizar e a empobrecer a arte da viagem.

9 Passos, 9 Concelhos.

Quando nos perdemos em convívio com gente genuína e fantástica, quando nos rendemos a gastronomia de sabores ímpares, quando encontramos um património histórico e natural soberbos, acabamos por nos perder. E foi isso que me aconteceu neste texto. O que inicialmente me trouxe a Mogadouro foi o desafio de fazer um dos nove percursos pedestres do ‘Destino Natural’ que é Trás-os-Montes.

No meu caso, o percurso da Cascata da Faia da Água Alta, em pleno Parque Natural do Douro Internacional, na confluência da ribeira de Lamoso com a ribeira da Bemposta. Excetuando as alturas mais secas, estamos na maior queda de água em Portugal continental, com um desnível topográfico de aproximadamente 40 metros. Num local impactante adornado por um belo bosque nas proximidades…

Não tive a felicidade de poder contemplar esta exuberância, pelo que me vejo ‘forçado’ a voltar. Esta referência geológica, geomorfológica e paisagística não pode escapar ao meu radar, pois o cenário é realmente belo e a fotogenia parece-me realmente soberba.

A ida são apenas 2,2 quilómetros – o mais curto dos nove percursos temáticos – mas cada metro deste passeio, que é circular, vale a pena. E leva-me a desejar conhecer cada um dos oito desafios restantes, todos com um tema natural específico, distintivo dos outros em termos de biodiversidade, geologia e paisagem. Apetece tornarmo-nos especialistas nesta região, considerada uma das ecologicamente mais ricas de toda a Europa. Daí que fica prometida a visita aos municípios de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.

Para quem não sabe – e eu desconhecia – em termos de património natural, as múltiplas áreas protegidas desta região cobrem mais de 40% de um território totalmente inserido na Reserva da Biosfera Transfronteiriça (RBT) Meseta Ibérica, com incontáveis espécies de fauna e flora, algumas autóctones.

Pastor em Mogadouro

Castelo & zona histórica

Um dos ex-líbris de Mogadouro é o seu castelo, que resiste sobretudo na sua Torre de Menagem. Os Templários erigiram-no no século XII e volvidos nove séculos, em tempos mais pacíficos, podemos apreciar as suas amplas vistas, que alcançam admiráveis paisagens num raio de 360.º. À volta, ruas de pedra adornadas por casas que exalam aromas de flores.

Daqui se percebe o aconchego que é Mogadouro, onde também sobressai a Torre do Relógio, logo ao lado. Nesta zona mais histórica podemos apreciar algumas casas brasonadas e, sobretudo, usufruir de uma esplanada para contemplar, sem a pressão do tempo, o quotidiano sereno destas paisagens. Sobretudo no largo Trindade Coelho e na praça engenheiro Duarte Pacheco.

Mogadouro ousou na criação de um museu da gaita-de-foles, onde estão imortalizados os saudosos executantes da região, que se destacam no país. Através do entusiasmo de Jorge Lira, acompanho a história do instrumento, sei sobre os seus grandes mestres e até aprendo a fazer a boquilha de uma gaita.

Mogadouro é vida rural e não lhe faltam aldeias onde podemos perceber a qualidade de vida dessa pacatez, até na Bemposta, onde sou brindado com um workshop de uns bolinhos tão saborosos que só posso mesmo aconselhar-vos a ir lá descobrir o seu nome. E paladar. Isto, claro está, antes de ser brindado, novamente, com as melhores alheiras e chouriços, com saborosa diversidade de queijos. E de muitos outros sabores desta terra, incluindo cogumelos e compotas da minha perdição.

Entre experientes sobreiros e oliveiras, igualmente a possibilidade de ‘convivermos’ com burros, que até nos vêm comer à mão. Encantadores. Urge MESMO preservar esta raça.

Delongo-me com ilustres cidadãos em idade avançada, com interessantíssimas histórias de vida. Entre entusiastas pastores e antigos contrabandistas, ou não fosse a zona da raia propícia a este tipo de atividades. E penso como é imperativo não deixar murchar estes povoados repletos de história e tradições.

Se chegaste ao fim deste texto, acredito que já estarás com vontade (de sobra) de visitar Mogadouro e Trás-os-Montes, certo?  Queres um especialista na região? https://natoursabor.pt/

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