“Entrem, venham experimentar”, desafiou um vulto, mal percetível. Estamos na rua dos Estrangeiros, onde a confusão humana já se esbateu. Está muito escuro. Apenas uma luz difusa na insólita cabana. Um cubículo para o máximo de seis pessoas. À primeira vista, a prudência aconselha a declinar o convite. O ambiente parece pouco claro. Mas a vida é feira de imprevistos e nada como abraçar o inesperado. Não hesitamos. Sentamo-nos. Não cabe mais ninguém.
É uma tenda improvisada mas definitiva, garante-nos o dono. “Quando chove bastante, paciência”, sorri. Basicamente, vende chá. Da terra. Mas só muito tarde o saberemos, e porque perguntamos, para comprar… Não vai atrás dos clientes. Espera que estes o descubram. A todos, sem excepção, oferece chá. Quando entramos, somos brindados com vários tipos dessa preciosidade da natureza.
A tradução de Jinyu Xie ajuda sobremaneira no diálogo e compreensão mútuos. A lua vai cheia e o ambiente é cada vez mais intimista. A conversa desagua naturalmente em vários temas. Cantamosem português. Ouvimos o mesmo em mandarim. E, entretanto, vamos aprendendo a saborear o chá com mais profundidades e conhecimento.
Temos luz difusa, lume e brasas para o chá. O odor deste fogo devolve-me à infância. Avós na aldeia. Ausência de luz elétrica. Grande lareira. Conversas em família alargada arrastando-se pela noite dentro. Cara a cara, em torno do fogo que nos une. Saceio esta saudade a cada golo. A cada sorriso. Em todo o esgar de entusiasmo dos nossos humildes anfitriões. Têm alma infinita. O momento é puro. Genuíno. Será recordado como um dos mais especiais em viagem. E não foram assim tão poucos em perto de 100 nações cruzadas….
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