Desceremos de altitudes superiores a 3.000 metros, abandonado o já saudoso planalto tibetano. Quanto mais baixamos, mais altos nos parecem os picos que nos engolem e orgulham os chineses, nomeadamente as suas muito apreciadas “snow mountains”.
Reencontro o Yangtze. Mantém a tonalidade turquesa do seu curso azul. Do outro lado, na margem distante, o verde espraia-se sob os cumes nevados. Há aldeias. E menos civilização. Gostaria de ter tempo para explorar. Para ficar. Para mergulhar nesta ruralidade, sem tempo.
Lijiang está feliz por nos rever. O sentimento é mútuo. Não serão muitas horas. Haverá tempo para uma derradeira ceia. A última na China. Calcorrearemos a cidade velha e detemo-nos numa esplanada. As tonalidades do céu vão mudando para pinceladas mais quentes.
Temos música ao vivo. Como que concerto privado. Jinyu Xie esmera-se na escolha dos últimos pratos. Continuaremos abençoados com a comida. Só isso explica estar a ganhar peso quando, ainda em Portugal, prometi aos amigos que iria perder. Confiava, em demasia, nos vegetais…
Finalmente, comboio noturno. Já tinha saudades destas aventuras. Não que os da China sejam os mais suscetíveis das histórias mais mirabolantes… mas estas experiências deliciam-me. Em viagem, os momentos em trânsito entre lugares são dos meus favoritos.
Cabine de quatro lugares. Ambiente calmo. E 12 carruagens até ao vagão-restaurante. Que está imediatamente antes do vagão-bar. Com ambiente menos iluminado. Com várias bolas de discoteca. A fazer lembrar casas de fama duvidosa. Estamos entusiasmados e não entendem porquê. Estas novidades e surpresas culturais rejuvenescem o meu entusiasmo, que em viagem (também) está sempre nos pícaros.
Chegaremos a Kunming com o sol ainda detido nos lençóis, sem vontade de deixar a cama. Somos o seu despertador. Meia hora depois estamos em casa de Jinyu Xie. Pequeno-almoço faustoso logo seguido de almoço madrugador. Apesar do nosso aspeto de quem se tratou bem nestes dias, a sua mãe parece temer pela nossa desnutrição. Os seus petiscos caem muito bem…
Insistem em levar-nos ao aeroporto. Nada podemos fazer para os deter. Patricia fica connosco até partirmos. Recuperamos, finalmente, a mochila de Maria. Voltamos à case de partida.
Nada como roupa lavada e a adrenalina de estarmos prontos para rumar à mais do que estimulante Birmânia….

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“BORN FREEE – O Mundo é uma Aventura”

Este é o primeiro livro de um autor português, Rui Barbosa Batista, que nos leva a viajar por mais de 50 países, dos cinco Continentes, não em formato de guia, mas antes em 348 inspiradoras páginas, 24 das quais com fotografias (81).