Mundial2018: Uruguai – Cabo Polónio, o derradeiro Paraíso

Mundial2018: Uruguai – Cabo Polónio, o derradeiro Paraíso

No surpreendente Uruguai, há um lugar distante dos ‘vícios’ da civilização, onde imperam a natureza e a ‘boa onda’ dos que aparecem…

Não tem luz elétrica. Água canalizada passa-lhe ao lado. Estradas asfaltadas? Nada que se assemelhe. Banco/caixa multibanco? Népias. Internet? Deixa para lá. Luxos? Poisssss… Aqui, no lugar mais inóspito do Uruguai, não vais MESMO sentir falta de nada disso.
Estamos em Cabo Polónio. Um dos lugares especiais do planeta e que ajudam o Uruguai a estar cada vez mais no mapa das conceituadas publicações internacionais. Uma península a uns 250 quilómetros de Montevideu onde o espírito livre de quem por cá passa coexiste em plena harmonia com os lobos-marinhos (uma das maiores colónias do Mundo, com cerca de 300.000) e restante vida selvagem.
É zona protegida pelo governo. As suas imensas praias estão praticamente desertas. Tem um por do sol ímpar e as estrelas parecem brilhar como em poucos lugares do planeta.
Mais do que um paraíso perdido, este é um verdadeiro éden para quem o encontra. É a imagem perfeita do que faz a Lonely Planet destacar, mais uma vez, o país: “O que falta ao Uruguai em tamanho, compensa-o com calma, hospitalidade e carisma”.
O colorido e desorganizado (no bom sentido) povoado está  cercado de douradas dunas de areia, pelas quais o gigante todo o terreno vai avançando, ao longe: as viaturas dos visitantes ficam à entrada do parque e depois há transporte especial 4×4 (ahhhh, como é libertador investir contra a brisa no tejadilho do imponente camião), que demora cerca de meia hora para cumprir uns sete quilómetros por dunas e caminhos difíceis na natureza até avistarmos este olimpo popular entre jovens argentinos e uruguaios, mas que está a ser descoberto por todas as idades de todos os lugares. Um sítio onde a diversidade humana se junta em invulgar e sentida harmonia.
No surpreendente Uruguai, há um lugar distante dos ‘vícios’ da civilização, onde imperam a natureza e a ‘boa onda’ dos que aparecem…

A população fixa é pequena. Não chegam a 50 famílias, em pequenas, desengonçadas e espaçadas casas rústicas. São pescadores, artesãos e funcionários do farol. Quando o bom tempo permite à maré trazer novos aventureiros, logo desabrocham restaurantes, bares, pequenas pousadas… balouçantes camas de rede.
Do farol, construído em 1881 com o intuito de prevenir sucessivos naufrágios nesta costa (Punta del Diablo, que visitaremos, deve o seu nome a esses sucessivos desastres humanos), vista privilegiada para todo o povoado e o azul do mar. Alguns pequenos barcos de pesca. E imensidão de areal deserto. Levantando um pouco os olhos, os ilhéus dos relaxados lobos-marinhos…
Cabo Polónio congelou no tempo. Exuberante tranquilidade natural garantia de panaceia para boa parte dos males do Mundo social. Sobram olhares a irradiar luz. Natural.
Um aviso: é preciso muito cuidado. Um lugar destes vicia. Enamora. Apaixona! Aqui, corremos o sério perigo de redescobrir a simplicidade. Intemporalmente. De nos permitirmos reencontrar a essência do que nos faz felizes… .

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