Kibuye… Portugueses?

Kibuye… Portugueses?

O caminho desde Kigali tem contornos de éden. Verde espraiado por sensuais montanhas e cativantes vales. Organização ‘suíça’ a perder de vista. Pena os telhados de zinco a iluminar a paisagem. Mas nem esse irradiar de luz nos cega quanto ao essencial: é fácil cair de amores pelo Ruanda.Estradas nacionais com passeios e bom asfalto devidamente sinalizado… Transporte pontual, rápido e com número certo de passageiros por lugar. No caminho, também pobreza. Miséria, nao. Kibuye, no lago Kivu, está em festa. Terá de esperar. Mochilas voltam a pesar-nos e procuramos estadia. Viajar ao sabor do vento tem destes luxos. Que nem todos apreciam…A primeira opção assusta. Desistimos. Pena termos de prescindir das certamente memoráveis ‘boom boom nights’, mesmo ao lado… Ficaremos a uns três quilómetros, com vista para o lago.  Privilegiada. E logo abençoada por aguaceiro. Só temos água quente noutro quarto, vazio. Mas faz parte da experiência. Toalha ao ombro e lá vamos. Se está livre, porque não nos dão logo os aposentos certos, quando água quente é a unica “exigência’ que fizemos? Adiante…O jantar é no Bethany. Melhores vistas. Acreditamos. Mas é noite e não a podemos saborear. Esperamos quase duas horas para termos o nosso pedido de jantar satisfeito. Vale a serenidade das dengosas noites africanas. E o tal vinho que dizem ter uvas…“Nunca esperei ver portugueses por aqui’, surpreende-nos compatriota de Tomar. “Sou engenheiro. Trabalho para empresa americana que explora gás natural no lago. O Kivu é como uma garrafa de coca-cola gigante. Sobra-lhe gás. Somos 12 portugueses neste fim de Mundo”. O que se pode fazer por aqui para matar o tempo? O seu encolher de ombros é revelador. Chegou há um mês e não sabe quando regressa. Tem de madrugar. Despede-se e vai dormir.Na caminhada de volta ao hotel, abordados por bravos ‘marinheiros’ de pequenos  barcos. Ferry para sul só passará em dois dias. Querem saber se não precisamos partir no seguinte. Essas urgências de quem está em viagem são o seu  sustento. Começam nos 150 euros. Para três. Barco exclusivo. Seis horas de viagem. Promessas de navegar junto à costa do Congo. Os negociadores estão tão ébrios que no dia seguinte não dão as prometidas novidades. Sem stress…Pequeno almoço tranquilo em paisagem serena. Passeio pela marginal e conversa animada com vendedora de peixe e suas amigas, vizinhas. Senhoras de todas as idades. E muitas crianças curiosas. Despedimo-nos oferecendo cerveja. Uma festa….O barco fica “fechado” em cinco minutos. Serão 100 euros que farão alguém muito, muito feliz… Estamos prontos para experiência fantástica….

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