Se formos desafiados a imaginar/conceber um projecto turístico de sonho, dificilmente idealizaríamos algo tão fantástico e completo como o Bird’s Nest, no Lago Bunyonyi, Uganda. Tem tudo. E na dose certa. Enquadramento na paisagem, localização, beleza, charme, bom gosto e a capacidade de nos surpreender. E  “salvar-nos” do Mundo. É como que um ideal movido pela dedicação de uma comunidade.”Houve uma altura em que investimos tudo, ficamos sem dinheiro e estivemos para abandonar. Foi a comunidade que nos disse e mostrou que não o podíamos fazer. Entenderam o nosso contributo e deram o deles. Aqui as coisas só funcionam com o entusiasmo e apoio de todos”, diz-me Raf Segers, um dos promotores do projeto. Ao contrário do que tem sido a história europeia em África, o Bird’s Nest não veio explorar, colonizar.Entreajuda, respeito e complementaridade são palavras e conceitos que se respiram neste desafio. “Não temos o pretensiosismo de estar aqui para ensinar. Também estamos a aprender. E muito. E a tentar juntar o melhor das duas culturas, pelo bem da comunidade. Na Europa  há a mania que sabemos tudo, o que é melhor para nós e para os outros. Aqui o importante é a troca de  conhecimento”. Catorze quartos (umas 40 camas) empregam 24 pessoas da comunidade, muito pobre, mas que aqui têm regalias ímpares. Foi construída uma cresce, garantida por duas amas. “Queremos que vivam a experiência da maternidade na plenitude. Que não fiquem muitas horas sem os filhos, deixados a  alguém. Assim, sabem que estão sempre bem. E por perto. Além de que partilhamos com eles alguns dos conhecimentos adquiridos na Europa sobre a forma de cuidar e tratar das crianças”, diz.O empreendimento tem horta própria e a mesma é partilhada  com os colaboradores. “Sabem que se produzirmos mais do que o necessário, podem levar para casa. Não faz sentido ser de outra forma”.O mesmo quanto à introdução de  conceitos  como a reciclagem, colocados regularmente em prática. Utilizando desperdícios para construir várias coisas, como coloridas garrafas de vidro e plástico embutidas nas paredes da creche.Esta história começou há sete anos. “Procurava na internet algo para o dia de S. Valentim e vi o anúncio de um casal belga que precisava de parceiros para este projecto. Vimos as fotos do lago e quatro dias depois estávamos cá”.Os casais revezam-se em períodos de meio ano. Raf Segers admite que, por vezes, tem saudades da Europa, mas também reconhece que “geralmente a nostalgia por África começa logo ao aterrar na Bélgica”.”Não me sinto europeu, mas também ainda não sou um africano. Estou no meio”.O empresário de 46 anos critica a “loucura” em que a Europa e União Europeia se estão a tornar, “bem pior do que em africa, onde lamento os muitos erros por  querem copiar o que se faz na Europa”.O Bird’s Nest é hino à união com a natureza e comunidade (a piscina é natural com as águas do lago purificadas por plantas). Tem gastronomia de excelência e decoração étnica a condizer. Não aceita festas e já recusou propostas de milionários que querem reservar tudo só para si. “Não é essa a filosofia. Não viemos cá para isso”.http://www.birdnestatbunyonyi.comNada como começar a sonhar com esta “viagem”… Ou inspirar-se nesta história para mudar de vida..

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