São estranhas figuras étnicas que marcam o meu primeiro olhar. Recomponho-me. Recosto-me na cama. Espreguiço-me longamente. Coloco os óculos. Nada muda. Apenas a nitidez das figuras. As primeiras noites em Tbilisi são passadas em singular casa do século XIX. As paredes variam entre telas antigas e tapetes históricos. Não sairia do quarto, não fosse estar já apaixonado pelo alpendre. Todo em madeira. Em envolventes azuis. Decoração com utensílios arcaicos.
Marina corre para os 70. Boa conservadora e excelente anfitriã. Recorda os tempos soviéticos. Sem saudade. Não entende porque queremos visitar a casa-museu do seu querido inimigo Josef. Que dá pelo nome de Stalin. “Basta ler. Depois, o desafio é tentar entender. Nunca consegui”, diz, momentaneamente com semblante mais austero. Rosto agora mais rígido e olhar preso no vazio.O bairro é calmo e poiso de pássaros. Dão-nos música. Da boa. O momento é especial, mas haverá mais. E Tbilisi suspira por nós….
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