Superconfortáveis nestas máquinas voadoras, logo imagino que chegaremos a Yerevan a tempo de um giro de reconhecimento antes de jantar. se a estimativa são umas cinco horas para os 300 quilómetros, acredito que poderemos baixar para quase metade. Pois… crer, nem sempre é poder.
O ritmo é interessante até à fronteira. E, aqui, o tempo não é muito. Tudo se conjuga para os melhores planos. Até  que paramos para reabastecer… gás. O mesmo que continua a marcar a paisagem, em condutas habitualmente amarelas.
O processo de abastecimento é bem lento. Esperamos uma meia hora até à nossa vez. E que os três táxis que viajam juntos estejam devidamente abastecidos. A esta hora, já percebemos que a Arménia é, globalmente, mais pobre do que a Geórgia. Que também há menos trânsito e que os condutores são mais responsáveis.
Percebo que um dos condutores já foi árbitro internacional de futebol. E até já dirigiu um desafio dos sub-19 portugueses, na Hungria. “Muito bons jogadores. E bem comportados”, assegura. Torço o nariz ao segundo elogio.
Voltamos à estrada e tudo muda. A começar pelo ritmo. Seguiremos por tempos infinitos a uma velocidade que pouco mais rápida é do que… caminhar. Raios, o que se passará com o homem?? Como não fala inglês, pouco mais posso fazer do que sugerir acelerar.
Começa a chover. Decidem parar. “É só para um cafezinho”, justifica. Afinal, algo sabe da língua de Shakespeare. A velocidade de cruzeiro não vai mudar. Seguiremos calminhos até ao destino. Aproveitamos e saboreamos melhor a paisagem. Que nas primeiras dezenas de quilómetros, até ao lago Sevan, é surpreendentemente bela.
Conduziremos ao lado da linha que divide o país do Azerbaijão. Pouco amigos. Há uma aldeia deserta. Casas abandonadas. “São azeris. Fugiram com a guerra. Melhor assim”, diz-nos o motorista. A guerra por Nagorno Karabakh, há 20 anos, deixou marcas que persistem. Os vizinhos não têm relações diplomáticas e as fronteiras são reforçadas militarmente..

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