Antes da hora combinada, o nosso taxista já acordou o homem da receção. E nós estamos quase, quase prontos. Às 06:00 Tbilisi é um mimo. Não há trânsito. E vemos tudo numa outra perspetiva. Seria ótimo para outro tipo de fotos, houvesse tempo.
Tem um tablet no tablier no qual desfilam vídeos musicais. Nada melhor para começar bem o dia. Não fala inglês pelo que tento comunicação. Com o óbvio: elogio, com atitude “internacional”, as donzelas que se passeiam em bikini junto a uma piscina. Um som, um gesto e um piscar de olho com sorriso malicioso. Má opção. Passará o resto da viagem à procura de mulheres interessantes. Já não quer acelerar para o aeroporto. Aquela hora, não é grave.
A Ana vê o milagre de recuperar um cartão bancário esquecido à chegada. A menina do banco é uma simpatia. O dia começa a sorrir. E é assim que continuará ao cruzarmos a alfândega. Opto pela “fila” (ainda inexistente) onde há uma “modelo” a vistoriar os passaportes. Gosto de mulheres cativantes em pose militar. Aliás, em qualquer pose.
A minha última barreira para deixar o país vai a devolver-me o documento quando, numa fração de segundo, percebe que algo está errado. Reabre o passaporte, faz ar de espanto e explode em gargalhada.
Não quer acreditar. No que já sabíamos. O registo de saída da Arménia para a Geórgia tem a data de… 2020. Estamos à frente. Muitooooo à frente. No futuro. Vai de imediato mostrar aos seus parceiros de fiscalização. Verificam que se passa o mesmo com todos os nossos passaportes. Tiram fotocópias e trocam “bocas”. Presumo que ganharam o dia. E que, a esta hora, o “feito” dos seus vizinhos arménios já andará na internet.
Já no ar, a janela do avião mostra-me a impressionante cordilheira do Cáucaso. Vários picos em torno dos 5.000. Acompanhados por imenso vale. A Rússia do lado de lá. Não esperará muito pela demora…
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