Izmailovsky Market‏

Izmailovsky Market‏

Fico ali, preso a um poster. Que afinal são 20 – ou 24? -, de cómodo tamanho A4. Estas imagens de vincada textura soviética transportam-me aos idos tempos da guerra fria. Na verdade, há-os para todos os gostos. Glorificação da União Soviética, jocosos comentários sobre os Estados Unidos, incentivadores do trabalho e união patriota, publicidade a marcas antigas…
Por 10 euros, decoro uma parede com motivos da antiga URSS. O carrinho de compras ameaça ser extenso…
Neste “flea market” encontro objetos rurais pintados em singulares peças de artesanato. Pedem-me preço exorbitante. Tento negociar, porém os meus olhos traem-me. As duas donzelas sabem que, se tiver nos bolsos o exagero que me pedem, pagarei. Pois bem, o preço terá de ir para um terço… e aí começamos a falar.
Como em boa parte deste planeta, regatear ajuda nos nossos propósitos. E aqui são os próprios vendedores que iniciam a arte, quando percebem que o visitante torce o nariz ao valor  proposto.
O lado militar e bélico está bem presente na generalidade dos russos. Tive a oportunidade de o confirmar várias vezes. Natural, por isso, que sobre no mercado material alusivo. Um paraíso para colecionadores de relíquias de guerra: armas, máscaras, roupa (militar e… espacial), fotos, bonés, propaganda… opções bem além do necessário para embeiçar qualquer Rambo.
A céu aberto neste Kremlin (“fortaleza”, na língua local) encontro antiguidades, telas, tapetes persas, chapéus, peles de animais, relógios, t-shirts, canecas, pequenos quadros religiosos, medalhas, grandes peças em bronze, quinquilharia vária e as inevitáveis matrioskas, que começam a aparecer em versão mais ousada. Tal como uma t-shirt com diversos líderes Mundiais em trajes menores. Durão Barroso não sai favorecido…
O desafio é mesmo querer uma recordação típica da Rússia e não a encontrar. Nada do que vira antes, em diversas cidades, deixo de encontrar aqui. Mas este mercado tem o condão de estimular a imaginação quanto a souvenirs.
Sim, o espaço “virou” turístico. Sim, também aqui encontramos regulares referências “Made in China”. Infelizmente, quase uma inevitabilidade. Se até na remota e quase inacessível Depressão de Danakil (lugar mais quente do Planeta, com média anual de 34,5 graus, na Etiópia) encontrei produtos locais feitos no Império do Meio…
O fim-de-semana é a altura certa para vir. Preferencialmente, manhã cedo. Durante os usuais dias de trabalho, muitos dos expositores estão fechados.
Quando saio na Partizanskaya (linha de metro azul escura) cometo o erro de não seguir a “multidão”, mas de confiar na errada informação policial: viro para a direita (o mercado fica 300 metros à esquerda). Bendito engano. Permite-me ver um dos maiores e mais antigos parques de Moscovo, que já teve o nome de Stalin (ou Estaline, se preferirem). Tal como muitas outas coisas, a sua morte, em 1953, também lhe levou a honra de batizar este grande pulmão verde. Ideal para exercício, passeios em família, pic nics… ou simples diversão em grande feira popular. Junto ao lago, também não falta forma estimulante de ocupar o tempo.
Voltando (a narrativa) ao mercado, encontramos várias maneiras de saciar a fome. Se o odor a comida não me guiar, que seja o fumo a faze-lo. Até churrascos podemos experimentar. À moda russa. Com boa cerveja local.
Com tempo, ainda posso afinar a pontaria com armas de pressão ou visitar o sempre concorrido Museu da Vodka.
Ao fim do dia, quando abandono o mercado, sou surpreendido por música do Equador. Dois músicos em traje índio e uma dançarina algo descontrolada na sua paixão por estes ritmos. As alegres melodias trazem mais dançarinos, que perdem a vergonha. Meia hora idílica e hilariante… a cereja e o bolo.
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