Regresso a Mandalay

Regresso a Mandalay

Asseguram-me que a ligação do Lago para Mandalay só se faz durante a noite. E que demorará umas oito horas. Não chegam a 300 quilómetros, promete ser duro…
Inconformado, persisto e descubro ligação às 08:30. A apanharem-nos manhã cedo, no hotel. Atrasam-se meros cinco minutos, será maior a espera nos “escritórios centrais”. Vamos em veículo de caixa aberta. No qual rapidamente teremos a companhia de três senhoras, que se dirigem a um mercado. A conversa é animada e quando troco de lugar com Ruby para pegar na mão de uma delas, como se fossemos um casal, é complicado travar-lhes o riso. Não há muitos lugares no Mundo onde haja esta facilidade de interação sem perigo de embaraços culturais.
Somos perseguidos por um monge. Na verdade, o ‘monge-metralha’. Acelera de moto e parece o mais determinado dos homens. Pena não se chegar suficientemente perto para o retratar convenientemente.
É nesta boa disposição que chegamos. E somos convidados a esperar. Tirando os bancos, nada mais sugere que estejamos numa companhia de transportes. E não é pelas cadeiras de plástico azul e cor-de-rosa ou as aromáticas rosas. Nem pela enorme mesa de bilhar carinhosamente apelidada de “double happiness”.
Somos os únicos. Em meia hora, a carrinha de 12 lugares está pronta a arrancar. Não perdemos tempo, até porque vamos cruzar-nos, várias vezes, com obras na estrada, que invariavelmente nos atrasam.
Vamos encontrando coloridos guarda-chuvas, burros e roupa de brilhante cor. Obviamente, tratam-se de procissões. Bem alinhadas. E que, em alguns casos, usam as traseiras de carrinhas de caixa aberta para transportar as pequenas e inocentes ‘estrelas’.
As curvas na primeira parte da viagem são funestas. Difícil resistir. Felizmente, ninguém enjoa.
No meio do caos, uma portagem. “Finalmente”, penso, ainda incrédulo. Na verdade, precipito-me. Pagamos aos senhores feudais da Birmânia, porém nada muda na estrada. Não melhora a qualidade do piso nem alarga a via.
Finalmente, Mandalay. Vamos levar uns quantos passageiros (literalmente) a casa e, finalmente, o luxo de nos deixarem à porta do hotel. Estamos de volta….

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