Um “flash” em Amesterdão

Um “flash” em Amesterdão

A odisseia do regresso já começou há tanto tempo que me perdi no seu controlo. Mandalay, Kunming, Guangzhou e agora Amesterdão, por 12 horas antes de rumar, finalmente, ao Porto. O penoso fim de estimulante aventura, até no quase-milagre que foi chegar aqui. Às 07:00 já vagueamos pelas artérias centrais da fria “Veneza do Norte”. Mais um choque térmico. Há 24 horas, quase 40.º. Agora, andamos perto dos zero!! Não resistimos e vamos a um segundo pequeno-almoço. Aquecer o estômago e a alma. E uma amostra de café… que mais saudosos ainda nos deixa do “nosso”, o verdadeiro.
Vamos percorrendo os canais que caracterizam a cidade, cruzando-nos com coffee shops, museus, mercados de flores, apreciando a singular arquitetura, as lojas. Não resistimos e vamos testar os melhores queijos. Maria é pior do que eu e traz um belo exemplar. Na verdade, não sei onde arranjará espaço para o meter. A arte feminina de empacotar o Mundo tem limites…
Quando se atreve a espreitar, o sol abraça-nos com uma ternura que já sentíamos falta. Caminharemos apenas por ruas abençoadas pelo seu calor, já que a sombra nos esmaga os ossos.
As pessoas começam a sair e agitar a cidade. A pé ou na tradicional bicicleta. Os canais têm vida própria. E invejo quem vive nas suas águas, num dos muitos barcos atracados nesta zona.
A fome volta a apertar e, analisadas três opções, somos felizes na escolha. Um conjunto de petiscos holandeses com predominância de legumes e queijos. Começamos a aproximar-nos dos saudosos sabores que nos aguardam em Portugal.
A última caminhada antes de voltar ao aeroporto leva-nos a uma feira de arte. E os trabalhos que mais aprecio são de autor com nome português. Paulo Ferreira. Na verdade, é brasileiro. E logo nos tira a ‘pinta’, metendo conversa.
Terá uns 55 anos, veio há 30 para a Europa e precisou de pouco para se apaixonar por Amesterdão e aqui fazer o centro da sua existência. Partilha o stand com alguém mais jovem. “É seu filho?”, questiono, após falar-me do abandono do Brasil. “Não, é o meu marido”, replica. Pois… desnecessário. Não chega a haver desconforto. Uma piada de circunstância entre gente bem resolvida. E a conversa segue para outros caminhos.  
Já no Porto, a inevitável Sandra à minha espera. O meu porto de abrigo e quem torna possível estes textos estarem online, partilhando as histórias com quem tiver vontade de as ler. Temos tempo para um interminável amplexo, sorrir e dirigir-nos de imediato às Virtudes, nomeadamente à Adega Santo António, onde a D. Hermínia me vai matar o vício de moelas e pataniscas com arroz de feijão.
Foi ótimo andar pela China e Birmânia. É excelente estar de volta a casa, com os amigos e numa das mais estimulantes cidades que conheço.
Bornfreee.com vai agora aos Açores e já tem programado Irão em Outubro e México em Dezembro. Seguimos juntos?.

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