Por estes dias, o fervor religioso está no auge. Não, não se trata de qualquer tipo de fanatismo. Apenas de pura devoção ao Profeta Maomé. E, particularmente, aos que o secundaram, quando a sua morte dividiu o islão em xiitas e sunitas, com históricas e sangrentas rivalidades, tal como no cristianismo com os católicos, protestantes, ortodoxos, testemunhas de Jeová e outros. Lá iremos…
O Irão é xiita e cativa. Encontro inúmeros exemplos de bondade pura. De verdadeira e leal ajuda ao outro. Quando nos decidimos por ser erráticos no bazar Vakil corríamos o risco de nos perder. E é assim que encontramos um espaço caótico (aparentemente, ruínas de um prédio mal ‘limpas’) com dezenas de homens a rezar. De forma relaxada e discreta. Sem os rigores de postura ou atitude habituais nas nossas igrejas.
Subitamente, estendem-nos comida. Uma espécie de tupperware com o mais fantástico dos arrozes com frango, lentilhas e uvas passas. Tem excelente sabor e sabe ainda melhor pelo gesto. Aceitamos a oferta pela insistência e sorrisos que acompanham esta vontade. Não temos ar de necessitados, mas não é isso que aqui importa.
Um gesto sem preconceito religioso. Desprovido de qualquer tipo de racismo. De quem muito provavelmente pouco tem para quem se dá ao luxo de poder explorar o Mundo. Haverá maior ‘lição’ de bondade, humildade?

NOTA:
Não sendo douto em religião, deixo breve resumo da diferença entre xiitas (essencialmente no Irão, parte do Iraque, Azerbaijão e Bahrein) e sunitas (resto do Mundo):
– Xiitas: No que terá sido o seu último discurso público, o Profeta levantou a mão do Imam Ali, seu primo e genro, mostrando que ele era o seu sucessor natural na liderança dos muçulmanos. Após a morte de Maomé, aqueles que apoiaram o Imam Ali foram apelidados de ‘shiat’s’ (seguidores) de Ali (as), de onde vem a forma aportuguesada xiita.
– Sunitas: Após a morte do Profeta, muitos apoiaram Abu Bakr, um sogro do Profeta por parte da sua última esposa, Aisha, na sequência de uma ‘Shura’, um conselho de anciãos sobre a religião.
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