Epopeia até ao aeroporto…

Epopeia até ao aeroporto…

O calor esmagava. Literalmente! Não havia forma de refrescar a noite tórrida. Nem as ventoinhas que nos acompanham de “hotel em hotel”. Batista e Morais derreteram, enquanto o “xxx” do Loureiro, a partir de meio da noite, refrescou com o… ar condicionado.
Pois é… em terra de cegos, quem tem olho… refresca! Eram 04:30 e já tínhamos abandonado a cama. Às 05:00 era suposto o “chapa” de Nampula apanhar-nos. Sim, suposto. O Loureiro, que tinha ido ver o nascer do sol ao mar, logo percebeu que íamos “lerpar” e apressou-nos a ir para o local de encontro combinado. Nada… nada… até que chegou uma jovem, de mala, que também ía para Nampula.
Recusou-se a esperar onde estávamos e seguiu para a ponta da ilha. Acompanhamo-la. Afinal, sempre conhece a realidade melhor que nós. “Para Nampula já partiu”, garantiram-nos. Subimos então para um chapa que ía para outra localidade, Nacala, mas em que 1/4 do trajeto era o mesmo que para Nampula.
Na traseira de uma carrinha de caixa aberta (para nós, já é como se andássemos de BMW) partimos em contrarrelógio, a ver que a nossa vidinha se ía complicar.
Mais uma vez, recorde Guiness Book. Onde, com jeitinho extremo, caberiam umas 15 pessoas, conseguiram enfiar ligeiramente mais do dobro. Valia tudo. Não ficou centímetro quadrado para alguém se mexer. Ainda assim, infelizmente o claro tom de pele acabou por valer alguns “direitos” (pagámos mais do que os restantes, tivemos direito a ir sentados). Por 10 meticais (uns 25 cêntimos de euro), comprámos uns 3 a 4 quilos de mangas. Quase o mesmo que em Portugal…
Antes de cumprirmos 1/4 do percurso, ultrapassámos a ‘arrastadeira’ que tinha partido mais cedo para Nampula. Fizemos-lhe paragem. No meio da estrada, trocámos de veículo. Quando vimos a velocidade a que se movimentava, ficámos loucos! Com aquela média, dificilmente apanharíamos o avião às 10:15. Lá fomos pressionando… mas aquilo não dava mesmo para mais.
À hora a que nos garantiram que estaríamos no aeroporto, faltavam uns 60 quilómetros de “estrada”. Algo manhosa. Exageramos no stress para que o demasiado tranquilo motorista tivesse o pé mais pesado. Ganhámos adeptos e simpatizantes, desejosos de que apanhássemos o avião.
Acabámos por “forçar” o motorista a desviar-se da rota habitual para nos deixar em pleno aeroporto (também não andou mais de 500 metros). Hugo Neto e Tiago esperavam-nos para nos dar as malas e receber as chaves de casa. Fomos para o fim da fila do check-in para Maputo e, aliviados com as malas despachadas, ouvimos na instalação sonora: “O vôo XYZ para Maputo está atrasado uma hora e quarenta minutos”. Haja paciência…
Não caímos. E aterrámos em segurança, depois de ver Maputo desde os céus.
(Viagem a África, 2009 – africatrio.blogspot.com).

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