Encontrar estadia foi desafio quase épico. Disseram-nos que sim, que seria bem fácil, mas, na verdade, verificámos exatamente o contrário.
Valeu-nos ter recarregado energias com um arrozinho de marisco no Cristal, um dos múltiplos restaurantes de portugueses. Fizeram o favor de nos guardar as bagagens e fomos à aventura de encontrar poiso. Depois de vários surpreendentes “estamos lotados”, acionar rapidamente plano B: recolher malas, boleia de taxi e procurar noutra zona, embora não muito distante.
Ao entrarmos na Pensão Martins (propriedade de indianos, de Goa), um “feeling” que se confirmou. Íamos ficar bem. Quarto amplo com uma cama de casal e duas de solteiro. Internet com rédea livre. E uma deliciosa piscina, a melhor das surpresas. Uma boa retaguarda para sermos felizes.
Maputo não é grande: falamos da baixa e a zona “in”, onde andámos mais tempo. Sábado visitámos o famoso Mercado do Pau, na rua, onde fizemos as melhores compras. Artesanato é ali mesmo. Apetecia embrulhar o cenário completo e enviar para Portugal.
Fomos diversificando os restaurantes. Ficamos fãs de todos. Sem dúvida, come-se muito bem na antiga Lourenço Marques. No “Assador Típico” terei comido dos melhores polvos à lagareiro de que me lembro. Quatro enormes tentáculos deram imensa luta e, confesso, o último não chegou a ser completamente devorado… Shame on me!
Domingo refeição com o Peixeiro, o Fernando que é o delegado da Lusa em Moçambique. Levou-nos a um local onde o marisco é divino. Trata-nos por “tu”. Mostrou-nos depois uma aldeia de pescadores. Tomámos café mais duas vezes com o companheiro de luta. Sem dúvida, está a dar-se bem por Moçambique…
O mesmo se aplica ao Miguel, com quem atacamos uns petiscos no Mundo’s. Talvez o melhor restaurante que encontrámos em Maputo. Este diretor de uma agência de publicidade deu-nos preciosas dicas para a Suazilândia. E contou-nos como pode ser boa a vida de quem tem “know-how” e é persistente para vencer além-mar.
“Em Lisboa, o trabalho permitia-me dormir serenamente uma ou duas noites por ano. Aqui, perco o sono uma ou duas. E o trabalho corre bem”, assegurou-nos.
As vivendas de antigo estilo português albergam, na sua maioria, ocidentais que trabalham na capital. A presença estrangeira volta a ser muito notada. A de portugueses, principalmente. A presença de cada vez mais ONG’s fez disparar os preços do bom imobiliário para valores insensatos.
Inicialmente íamos ficar três ou quatro noites, mas o jovem Loureiro veio para férias sem páginas livres no passaporte e ficou a saber que assim não poderia continuar viagem.
Mesmo com “contactos”, tirar o passaporte provisório demorou dois dias (sim, no consulado português fazem questão de trabalhar ao ritmo… africano! Nem o “toque” do Fernando Peixeiro permitiu ter as coisas prontas no próprio dia), o que mudou os nossos planos de viagem, prolongando a nossa estadia em Maputo.
Bem aproveitada, embora preferíssemos ter seguido viagem mais cedo…

(Viagem a África, 2009 – africatrio.blogspot.com).

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