O filme promete acabar mal. Vale alguém de burka intervir. E, sozinha, afastar uma dúzia de rufias ‘adultos’ de sangue a ferver e sem qualquer noção de limites. Ou bom senso.O casal europeu ronda os 40. O cabelo loiro dela chama a atenção. A simpatia para com os locais não podia ser mais inapropriada e mal interpretada. Em foto que insistem em tirar, abraçam-na e as suas mãos vão além do tolerável. Acossado, mas sem agressividade, o companheiro resgata-a. Os jovens não desistem. Vão atrás e rodeiam-nos. Não há polícia ou outros estrangeiros suficientemente perto…não conseguem sair. Quando o impensável começa a caminhar para o inacreditável, eis que a mulher de burka intervém. E resgata o casal já em maus lençóis.As cinco mulheres que me acompanham reagem de forma distinta à tensão sexual permanente que se sente no Cairo. Os olhares variam entre a curiosidade e um perverso que devia envergonhar. Alguns piropos em árabe. E tentativas de contacto que esbarram quando aparecemos. Eu ou o Gonçalo.
O turismo rareia a um nível que dói. Não a mim, entenda-se. Sinto-me privilegiado por ter tanto só para nos. Mas são mais olhares vorazes nas parcas mulheres que aqui parecem ser encaradas como objecto.”Três mulheres???? Como fazes? Tomas viagra??”, questiona-me um comerciante. Em concorrido mercado noturno, corrijo-o e digo que tenho cinco a meu encargo, no Cairo. Quase lhe falta o ar. Atiro-lhe uma gargalhada e fica na dúvida. Mais à frente já sabem das cinco mulheres. Sou invejado e ouço as bocas da praxe. Em ambiente já bem mais saudável. Há quem me chame Rambo. O papel que demasiados vestem em impróprio contacto com qualquer contacto feminino estrangeiro. Fico a saber que alguém já sofreu na pele um contacto indesejado. Tentamos relevar. Sabemos a ‘peculiaridade’ como a sexualidade é encarada no Mundo árabe. Que estes excessos não ganhem protagonismo excessivo nesta jornada….
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