Dom Faria, Pemba já é nossa!!

Dom Faria, Pemba já é nossa!!

Ali estava. Cabeludo, como sempre. E um sorriso do tamanho de Moçambique. Fernando Faria, saudoso companheiro da SIC no Porto que há uns anos foi ‘despromovido’ para a Capital.
Nem tivemos tempo de pousar as malas. Poucos minutos após regressar à terra, já estávamos a saborear o “chá” das cristalinas águas de Pemba (fora da cidade, pois, em muitas zonas, os locais, sem saneamento básico, defecam na praia).
Il Pirata foi o resort e praia privativa escolhidos para completarmos o dia. Um almoço em local idílico e o desejo de voltar. O Faria instalou-nos principescamente na sua casa de praia, em breve apta a receber turistas. Local paradisíaco em que um gigante embondeiro (são precisas umas 10 pessoas a dar as mãos para o abraçar) deixa marca.
Em Pemba, relaxámos. Conhecemos os calorosos e hospitaleiros pais do Faria (Senhor Herculano e D. Celeste). Visitamos alguns locais emblemáticos de uma cidade que já viveu melhores dias, antes de os portugueses terem sido forçados a abandonar o país, na apressada saída de África na transição para a também dura democracia.
Faria lá andou nas suas apressadas lides enquanto nós testávamos as delícias dos bares de praia, alternando mergulhos com cerveja/sumos naturais e almocinhos espraiados em palhotas no arenal: e um regalo ver pobres e despreocupadas crianças a brincar na água como se pela primeira vez vissem o mar. sobra riqueza a quem “nada” tem.
O jantar foi sempre em casa dos pais do Faria. Uma exigência da família. Inolvidáveis memórias ficaram…
Ana Luísa, esposa do Hugo Neto, amigo do Batista, alegrou o nosso último dia completo em Pemba. Também dirigente da HELPO, Fez o favor de nos passear pela cidade, numa visita guiada que nos aproximou da realidade. Uma simpatia. Comunicativa e um bom exemplo da beleza lusa em África. Em todos os sentidos.
Após três noites, hora de abalar a novo destino. Os copos no Dolphin Pemba Bar (na praia), seguidos de visita tardia ao Farol, apenas deixaram hora e meia de sono (perspetiva otimista). O embaixador da Roménia em Moçambique foi uma simpatia: no trato e “exigência” posterior em pagar os copos. Era o dia oficial do seu país. Agradecemos e ganhámos uma certa curiosidade pela nação que Ceausescu subjugou e destruiu (em 2012, já constatei que a Roménia é, felizmente, uma das melhores surpresas da Europa).
O Senhor embaixador veio para ficar um mês. Está em Moçambique há 20 anos. Não sabemos se chegou a resolver o “problema” que o trouxe ao país…
Comprometemo-nos a estar no mochibombo às 04:30, mas eram 04:50 quando o fizemos. O TT do Faria deparou-se com um “monstro” em furiosa saída da garagem. Não se deteve, contornou o carro e zarpou. Mal despertos, ainda deu para raciocinar e acelerar rumo à próxima paragem, onde, finalmente, conseguimos embarcar. Esmagamos onde coubemos.
Com emoção chegámos a Pemba, com aperto no coração a deixámos…

(Viagem a África, 2009 – africatrio.blogspot.com).

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